'Nosso risco no mar não se compara ao que os palestinos enfrentam', diz Greta Thunberg antes de zarpar rumo a Gaza
Uma nova flotilha humanitária, considerada a maior já organizada com destino à Faixa de Gaza, promete zarpar neste domingo (31) de diversos portos. Batizada de Global Sumud Flotilla — "sumud" significa "perseverança" em árabe —, a iniciativa reúne dezenas de embarcações, ativistas de 44 países e figuras públicas como a ambientalista sueca Greta Thunberg e a atriz americana Susan Sarandon. O objetivo é romper o bloqueio imposto por Israel e entregar ajuda humanitária à população palestina.
Uma nova flotilha humanitária, considerada a maior já organizada com destino à Faixa de Gaza, promete zarpar neste domingo (31) de diversos portos. Batizada de Global Sumud Flotilla — "sumud" significa "perseverança" em árabe —, a iniciativa reúne dezenas de embarcações, ativistas de 44 países e figuras públicas como a ambientalista sueca Greta Thunberg e a atriz americana Susan Sarandon. O objetivo é romper o bloqueio imposto por Israel e entregar ajuda humanitária à população palestina.
A operação é coordenada por uma rede de movimentos civis e humanitários independentes, sem vínculos com governos ou partidos políticos. Os barcos partirão de locais como Barcelona, na Espanha, e Tunísia, com previsão de se encontrarem em alto-mar antes de seguir rumo à costa de Gaza. Por questões de segurança, os organizadores não divulgaram o número exato de embarcações nem o ponto de encontro no mar, para evitar possíveis tentativas de sabotagem.
Segundo os organizadores, mais de 26 mil pessoas se candidataram para integrar a missão, embora apenas uma fração tenha sido selecionada devido à capacidade limitada dos barcos. A campanha de financiamento coletivo arrecadou mais de € 2,28 milhões (mais de R$ 14 milhões), superando a meta inicial de € 1,2 milhão. A delegação francesa, por exemplo, conseguiu financiar dois veleiros com recursos próprios.
A iniciativa surge em um momento crítico, com 500 mil pessoas em situação de extrema necessidade em Gaza, segundo dados da ONU. Os organizadores acusam Israel de promover deliberadamente a fome no território palestino ao restringir o acesso de ajuda humanitária por terra e mar. "Nossa missão é também midiática, para sensibilizar o mundo sobre o bloqueio em Gaza e pressionar por mudanças", afirmou Adrien, porta-voz da delegação francesa.
Entre os participantes estão atores como a americana Susan Sarandon, o sueco Gustaf Skarsgård (da série "Vikings") e o irlandês Liam Cunningham (de "Game of Thrones"), além de médicos, jornalistas e ativistas de diversas nacionalidades. A sueca Greta Thunberg, que já participou de uma missão anterior em junho, declarou que "uma missão como esta não deveria existir. Deveria ser responsabilidade dos nossos governos agir para defender o direito internacional e prevenir crimes de guerra e o genocídio. Mas eles estão falhando, traindo os palestinos e toda a humanidade", disse. "Portanto, infelizmente, cabe a nós, cidadãos comuns, organizar estes barcos".
"Não importa o que arriscamos no mar, não é nada comparado ao que os palestinos enfrentam todos os dias ao tentar simplesmente viver", completou a ativista, que afirmou não temer ser detida pelas autoridades israelenses.
As tentativas anteriores de romper o bloqueio não tiveram sucesso. Em junho e julho, os barcos Madleen e Handala foram interceptados por forças israelenses antes de alcançar Gaza. Os tripulantes foram expulsos, e alguns chegaram a ser detidos. Apesar dos riscos, os organizadores garantem que novas ondas de ajuda estão sendo planejadas, e que a mobilização crescente já representa uma vitória.
Brasil participa com delegação expressiva
Dentre os 13 participantes brasileiros, incluindo uma equipe em terra dedicada à logística e à comunicação política, estão Bruno Gilga Rocha, porta-voz oficial da delegação e também sindicalista em São Paulo. Bruno publicou, nesta sexta-feira (29), em sua página no Instagram, trechos de uma entrevista em espanhol sobre sua participação na flotilha pró-Palestina.
"Será uma vitória de todos se o povo palestino conquistar seu direito de uma Palestina livre. É interesse de todos os povos oprimidos. Toda a classe trabalhadora do mundo contra o capitalismo, contra o imperialismo, contra a exploração. Esta é uma luta histórica monumental de toda a classe trabalhadora pela libertação", afirma no vídeo.
A flotilha parte em meio à escalada da ofensiva israelense contra Gaza, que já deixou mais de 61 mil mortos, segundo o Ministério da Saúde local. A ONU considera esses números confiáveis.
(Com AFP)