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No Irã, manifestantes voltam a protestar contra o governo

13 jan 2020
18h53
atualizado às 19h07
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Manifestantes contrários aos governantes religiosos do Irã foram às ruas e a polícia foi mandada para enfrentá-los nesta segunda-feira, marcando o terceiro dia de manifestações após as autoridades reconhecerem que derrubaram equivocadamente uma aeronave com 176 passageiros. 

O presidente do Irã chamou a destruição do avião ucraniano, que foi derrubado por acidente por um míssil anti-aéreo, de "erro desastroso" no sábado, dizendo que as defesas anti-aéreas foram disparadas por engano enquanto o país estava em alerta após conduzir ataques de mísseis contra alvos dos Estados Unidos no Iraque. 

Iranianos protestam em apoio às vítimas da queda de avião ucraniano em Teerã
11/01/2020
Nazanin Tabatabaee/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS
Iranianos protestam em apoio às vítimas da queda de avião ucraniano em Teerã 11/01/2020 Nazanin Tabatabaee/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS
Foto: Reuters

A comoção pública no Irã, que foi crescendo por dias depois que Teerã negou repetidas vezes sua culpa no desastre aéreo, acabou originando os protestos após as forças militares do país admitirem o erro. 

O quadro completo dos protestos no Irã é difícil de obter por conta das restrições a veículos de imprensa independentes. Mas vídeos publicados na internet mostravam dezenas, possivelmente centenas de manifestantes na segunda-feira em locais em Teerã e Isfahan, uma importante cidade ao sul da capital. 

Vídeos mostravam estudantes cantando palavras de ordem como "Clérigos, sumam daqui!" fora de universidades em Isfahan e Teerã, enquanto a tropa de choque policial assumia suas posições nas ruas. 

Imagens dos dois dias anteriores de protestos mostraram pessoas feridas sendo carregadas e poças de sangue pelo chão. Tiros podiam ser ouvidos, embora a polícia negue que tenha aberto fogo contra os manifestantes. 

As manifestações são a última reviravolta em um dos maiores e mais sérios aumentos de tensão entre Washington e Teerã desde a Revolução Islâmica do Irã em 1979. 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que no início do mês ordenou um ataque por drone que matou o mais poderoso comandante militar do Irã, tuitou aos líderes da República Islâmica: "Não matem seus manifestantes". 

O porta-voz do governo iraniano rejeitou os comentários de Trump dizendo que os iranianos estavam sofrendo por conta de suas ações e que eles lembrariam que ele ordenou o assassinato do general Qassem Soleimani em Bagdá no dia 3 de janeiro. 

Cinco países cujos cidadãos morreram no acidente, que matou as 176 pessoas a bordo, se encontrarão em Londres na próxima quinta-feira para discutir possíveis ações legais, disse o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia à Reuters. 

Entre os cinco está o Canadá, que tinha pelo menos 67 cidadãos detentores do passaporte canadense no vôo, muitos deles estudantes iranianos-canadenses e acadêmicos que voltavam para casa após viagens de final de ano.

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