Netanyahu diz que Israel está 'quebrando os ossos' do regime iraniano e guerra 'ainda não terminou'
Benjamin Netanyahu afirmou nesta terça-feira (10) que Israel "está quebrando os ossos" do regime iraniano com a ofensiva realizada desde 28 de fevereiro com os Estados Unidos. Contradizendo declarações do presidente americano, Donald Trump, o primeiro-ministro israelense reiterou que o conflito "ainda não terminou".
Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel
"Nosso objetivo é levar o povo iraniano a romper o domínio da tirania. No fim das contas, isso depende deles", declarou Netanyahu durante uma visita a um centro de emergência do Ministério da Saúde israelense. "Não há dúvidas de que, com as ações realizadas até agora, estamos quebrando os ossos deles — e ainda não terminamos", acrescentou.
As declarações do premiê israelense contrastam com a avaliação de Donald Trump, que afirmou na segunda-feira (9) que a guerra no Oriente Médio deve terminar "muito em breve". As falas, feitas com poucas horas de diferença, expõem a falta de alinhamento entre os dois líderes sobre o futuro do conflito.
Irã quer determinar fim da guerra
A mídia estatal iraniana também divulgou nesta terça-feira a posição da Guarda Revolucionária do país sobre a continuação da guerra. Segundo as informações, o braço armado do regime deixou claro que cabe ao Irã determinar quando o conflito vai terminar.
O porta-voz da Guarda Revolucionária, Ali Mohammad Naini, garantiu ainda que o Irã não permitirá a exportação de um único litro de petróleo da região "para o campo inimigo e seus parceiros até nova ordem".
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Aragchi, acrescentou que "as negociações com os Estados Unidos não estão mais na agenda". Segundo ele, o Irã prosseguirá com os ataques aos países da região "enquanto for necessário".
Em Jerusalém, as sirenes soaram na manhã desta terça‑feira após um alerta de bomba. Pouco depois, uma explosão foi registrada, mas a Cruz Vermelha informou que não houve vítimas.
Morte de dois trabalhadores da construção civil
A RFI visitou quatro dos seis locais atingidos na segunda-feira em Israel por destroços dos mísseis iranianos e do grupo Hezbollah derrubados e pôde constatar a destruição causada. Num desses pontos, em Yehud, a cerca de dez quilômetros de Tel Aviv, dois trabalhadores da área de construção civil morreram ao serem atingidos pelos destroços. Segundo o Comando da Frente Interna, o braço do Exército de Israel responsável pelas orientações à população civil, eles não se abrigaram na área de proteção que existe no local.
Já em Ramla, cidade a cerca de 20 quilômetros de Tel Aviv, um bairro residencial foi atingido, deixando duas pessoas levemente feridas e causando destruição no interior de uma casa e num jardim de infância, que estava fechado no momento do ataque.
Os moradores relataram à RFI que não houve a ativação da sirene e, por isso, muitas pessoas estavam na rua atingida no momento da queda de estilhaços de um foguete disparado pelo Hezbollah, no Líbano. No local, um oficial do Exército de Israel interrogado declarou que o episódio está sob investigação.
Segundo a imprensa israelense, o intervalo entre o pré‑alerta enviado aos celulares da população e o acionamento das sirenes que avisam sobre ataques diminuiu drasticamente nos últimos dias. O problema estaria relacionado à desativação de um radar essencial dos Estados Unidos no Catar, danificado por um drone iraniano.