'Netanyahu é o tipo de político que faz mal para a humanidade', diz Lula
Petista criticou premiê israelense e apoio dos Estados Unidos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (14) que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, "é o tipo de político que faz mal para a humanidade".
A declaração foi dada em entrevista a veículos de imprensa progressistas e reforça o tom crítico adotado pelo petista em relação à condução das ações israelenses no conflito no Oriente Médio.
Segundo Lula, o comportamento de Netanyahu estaria diretamente ligado à sua permanência no poder. "É um tipo de político que faz mal para a humanidade. O comportamento dele, para ficar no poder, exige que ele faça o que está fazendo", afirmou.
Ainda assim, o presidente brasileiro ressaltou a necessidade de diferenciar o governo do povo de Israel. "Tenho muito cuidado para não confundir o povo de Israel com Netanyahu. Há muita gente que quer paz e não concorda com ele."
Durante a entrevista, Lula também criticou o apoio internacional ao governo israelense, apontando a responsabilidade dos Estados Unidos. Para ele, há uma relação de "complacência" que permite a continuidade das ações militares, caso contrário "Israel não faria o que está fazendo".
O petista ainda acrescentou estar "convencido de que Netanyahu está fora da linha" e que não tem "nada de humanismo dentro da cabeça dele".
Questionado sobre a possibilidade de romper relações diplomáticas com Israel, Lula adotou um tom cauteloso, tendo em vista que decisões dessa natureza exigem prudência.
"A gente precisa ter cuidado, não pode ter nenhuma atitude precipitada, porque dificulta você voltar atrás", disse.
Por fim, disse acreditar em uma mudança política interna no país. "Eu sempre acho que, em algum momento, o povo de Israel vai tirar Netanyahu e eleger alguém civilizado, democrático, humanista para governar aquele país."
As declarações ocorrem em meio a um histórico de tensões diplomáticas. Em 2024, Lula foi declarado "persona non grata" pelo governo de Israel após ter comparado a ofensiva do país contra o Hamas na Faixa de Gaza com o Holocausto.
Na ocasião, o brasileiro afirmou que o conflito no enclave palestino, onde milhares de pessoas já morreram, não é uma guerra, mas sim um "genocídio".