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Mundo Árabe

Presidente suíça recebe representante da oposição líbia

9 mar 2011 - 15h42
(atualizado às 16h14)
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A presidente suíça, Micheline Calmy-Rey, recebeu nesta quarta-feira um representante do Conselho Nacional de Transição (CNT) líbio, que reúne a oposição, informaram as autoridades do país. "No encontro, Jebril El Waalfarvi apresentou sua percepção da situação atual e a possível evolução na Líbia", informou a presidência suíça em um comunicado, no qual afirma que "o convidado líbio também apresentou suas reivindicações, assim como o programa político", do Conselho.

O CNT, criado por representantes dos rebeldes que se opõem desde 15 de fevereiro às forças de Muamar Kadafi, foi criado em 5 de março e se declarou como "o único representante da Líbia". Calmy-Rey manifestou sua "preocupação" pela situação da população líbia, alvo da "violência abominável dos dirigentes líbios".

As relações entre Berna e Trípoli foram abaladas depois da prisão, em julho de 2008 em Genebra, de um dos filhos do líder líbio, Muammar Kadafi, que, em represália, prendeu em território líbio por dois anos dois empresários suíços.

No ano passado, ambos os países assinaram um plano de ação para normalizar as relações, depois da libertação de um dos dois suíços presos, que previa uma "compensação" de 1,5 milhão de francos suíços, assim como a constituição de um "tribunal de arbitragem" internacional para investigar as circunstâncias da prisão de Hannibal Kadafi. Depois da revolta, Berna congelou os eventuais bens de Kadafi e seus parentes na Suíça.

Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi

Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.

Os relatos vindos do país não são precisos, mas a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que aeronáutica líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido. Muitas dezenas de milhares já deixaram o país.

Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte. Desde então, as aparições televisivas do líder líbio têm sido frequentes, variando de mensagens em que fala do amor da população até discursos em que promete vazar os olhos da oposição.

Não apenas o clamor das ruas, mas também a pressão política cresce contra o coronel. Internamente, um ministro líbio renunciou e pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbios também pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade. Mais recentemente, o Tribunal Penal Internacional iniciou investigações sobre as ações de Kadafi, contra quem também a Interpol emitiu um alerta internacional.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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