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Mudanças climáticas: onda de calor custa bilhões à Alemanha

27 jun 2026 - 16h50
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Nunca antes um mês de junho foi tão quente no país, com consequências também para empresas. Calor reduz produtividade e causa doenças, enquanto a climatização é considerada cara.Como consequência das mudanças climáticas, ondas de calor de até 40°C estão ocorrendo com mais frequência na Alemanha e durando mais tempo. Neste sábado (27/06), o país registrou um segundo dia seguido detemperatura recorde.

Sistemas de refrigeração eficazes ainda são relativamente incomuns no país. Enquanto o ar-condicionado é considerado praticamente padrão nos Estados Unidos, ele está presente em apenas 6% das residências particulares alemãs. Em contraste, 50% dos edifícios de escritórios e administrativos já contam com sistemas de resfriamento.

"Nos países do norte, os edifícios tendem a ser projetados para reter calor devido aos invernos rigorosos", explicou a economista Katharina Utermöhl, que atua na área de pesquisa em políticas econômicas do grupo segurador Allianz. Ela é coautora de um estudo que analisa o impacto do calor na economia alemã. O estudo alerta para custos enormes à medida que a produtividade diminui e os gastos com energia aumentam. O calor extremo já não é apenas um fenômeno climático temporário, mas um choque econômico estrutural.

Temperaturas acima de 30°C exercem uma pressão significativa sobre o corpo humano - especialmente quando as pessoas não estão acostumadas a elas. A capacidade de concentração diminui, a transpiração aumenta e o sistema cardiovascular como um todo é afetado.

Segundo Utermöhl, em entrevista à DW, isso tem consequências mensuráveis para o mundo do trabalho. "Acima de 30 graus, a produtividade cai 3% por grau adicional, enquanto os custos de energia aumentam 1,2% por grau." As pessoas trabalham mais devagar, os erros tornam-se mais frequentes, e as máquinas superaquecem. Quando sistemas de refrigeração são utilizados, mais eletricidade é necessária - e isso tem um custo elevado.

Menos produtividade, mais doenças

O calor afeta mais intensamente aqueles que trabalham ao ar livre - por exemplo, na construção civil, na agricultura ou em serviços de entrega. A saúde dessas pessoas fica diretamente ameaçada pelas altas temperaturas. Segundo o Ministério Federal do Trabalho da Alemanha, o número geral de afastamentos por doença aumenta cerca de 3,5% nos dias em que as temperaturas ultrapassam 30 °C e pode chegar a 6% durante ondas de calor prolongadas. Isso também resulta em uma queda da produtividade.

De acordo com o estudo da Allianz, as perdas econômicas totais da Alemanha entre 2026 e 2030 podem atingir cerca de 131 bilhões de dólares (R$ 678 bilhões). Perdas no Produto Interno Bruto (PIB) - ou seja, na produção econômica total - de até 3% também são consideradas possíveis. O estudo afirma que a redução dos lucros pode diminuir a disposição das empresas para investir. Por sua vez, isso pode enfraquecer ainda mais a produtividade e a competitividade futuras.

Junho mais quente desde início dos registros

Mesmo assim, a Alemanha ainda se encontra em uma faixa intermediária quando se trata dos potenciais prejuízos econômicos causados pelas mudanças climáticas. França, Itália e Espanha já são mais severamente afetadas, enquanto os países do norte da Europa continuam se beneficiando, uma vez que os invernos mais amenos reduzem a necessidade de aquecimento.

A atual onda de calor na Alemanha é a mais longa já registrada em um mês de junho desde o início dos registros meteorológicos.

"A Europa está aquecendo mais rápido do que qualquer outro continente - e estamos pagando por isso com vidas humanas", afirmou Hans Henri Kluge, diretor regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a Europa, em Berlim. Mais de 200 mil pessoas morreram na Europa devido ao calor nos últimos quatro anos.

Calor no local de trabalho

A Alemanha possui um regulamento sobre locais de trabalho segundo o qual os empregadores devem avaliar medidas para combater o estresse térmico quando a temperatura ambiente atingir 26 °C. A partir de 30 °C, tornam-se necessárias medidas de proteção, como fornecer bebidas e ajustar os horários de trabalho. Em temperaturas acima de 35 °C, o local de trabalho geralmente é considerado inadequado para uso.

Para o partido de oposição A Esquerda, isso não é suficiente. A legenda defende que medidas mais rigorosas de proteção contra o calor sejam estabelecidas em lei. Entre as exigências estão o fornecimento de bebidas, proteção contra o sol e ventiladores em ambientes internos, além de pausas adicionais. Os trabalhadores que atuam ao ar livre deveriam ter direito a uma "permissão climática de jornada reduzida".

Gestão de riscos

Utermöhl defende, acima de tudo, uma visão de longo prazo e ações preventivas: "A Alemanha precisa parar de tratar o calor como um problema de verão", afirma, ressaltando que se trata de uma "tarefa permanente da política econômica". O conceito central é a gestão de riscos; lidar com o calor deve ser integrado a todos os aspectos do planejamento corporativo, desde a análise das cadeias de suprimentos e a gestão de pessoal até as decisões imobiliárias.

Nesse aspecto, a economista também considera que o governo tem a responsabilidade de tratar a proteção contra o calor como um elemento central da política econômica. "Por exemplo, poderiam ser introduzidos incentivos fiscais para edifícios projetados para lidar com o aumento das temperaturas e com as ondas de calor." Fachadas de cores claras ajudariam, assim como medidas de sombreamento e a criação de áreas verdes nos edifícios. O planejamento urbano como um todo teria que ser repensado.

O calor também afeta a infraestrutura. "A 38 °C, partes da nossa infraestrutura já não funcionam adequadamente", observou Utermöhl. "Nessa área, o governo precisa investir mais e garantir que a infraestrutura esteja devidamente preparada." Mais uma tarefa gigantesca para a Alemanha, cujas finanças já estão sob considerável pressão.

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