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MSF suspende parte de atividades hospitalares em Gaza por riscos

14 fev 2026 - 15h58
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A organização Médicos Sem Fronteiras suspendeu atividades médicas "não críticas" em um importante hospital ‌no sul de Gaza, após relatos de pacientes e de sua própria equipe sobre a presença de homens armados dentro das instalações e preocupações com o transporte de armas no local.

A declaração da MSF pareceu marcar a primeira vez que um grupo humanitário internacional em Gaza relatou publicamente a presença de homens armados em um hospital ou o possível uso de tal instalação para movimentação de armas.

A instituição com sede em Genebra disse ⁠que as operações não essenciais no Hospital Nasser, em Khan Younis, foram suspensas em 20 de janeiro devido a ‌preocupações com a "gestão da estrutura, a salvaguarda de sua neutralidade e violações de segurança".

Nos últimos meses, pacientes e funcionários "viram homens armados, alguns mascarados", em áreas do complexo hospitalar, disse a MSF.

O Ministério do Interior, controlado ‌pelo Hamas, disse em um comunicado que estava empenhado em impedir ‌qualquer presença armada dentro dos hospitais e que medidas legais serão tomadas contra os infratores. O ministério ⁠sugeriu que membros armados de certas famílias de Gaza haviam entrado recentemente em hospitais, mas não identificou os envolvidos.

"ATOS INACEITÁVEIS"

Israel e o Hamas acertaram um cessar-fogo em outubro como parte de um plano dos Estados Unidos para acabar com a guerra em Gaza. Ambos os lados acusaram repetidamente um ao outro de violações.

Desde o cessar-fogo, "as equipes da MSF relataram um padrão de atos inaceitáveis, incluindo a presença de homens armados, intimidação, prisões arbitrárias ‌de pacientes e uma situação recente de suspeita de movimentação de armas", afirmou.

De acordo com o Ministério da Saúde ‌de Gaza, mais de 590 palestinos ⁠foram mortos pelas tropas israelenses ⁠no território desde o início do cessar-fogo, enquanto militantes palestinos mataram quatro soldados israelenses no mesmo período.

A MSF divulgou a ⁠suspensão do Hospital Nasser em uma seção de "perguntas frequentes" em seu ‌site sobre seu trabalho em Gaza, ‌atualizado pela última vez em 11 de fevereiro.

Os homens armados foram vistos em áreas do complexo hospitalar onde a MSF não realiza atividades, mas sua presença, juntamente com suspeitas de transferência de armas, representava sérios riscos à segurança dos pacientes e funcionários, afirmou a MSF.

Um representante da MSF disse à ⁠Reuters que a organização continuou a apoiar alguns serviços essenciais no Hospital Nasser, incluindo cuidados hospitalares e cirúrgicos para certos pacientes que necessitavam de tratamento para salvar suas vidas.

"ESPAÇOS NEUTROS"

A MSF disse que expressou sua preocupação às autoridades competentes, sem detalhar a quem os relatórios foram enviados.

"Os hospitais devem permanecer neutros, espaços civis, livres da presença ou atividade militar, para garantir a prestação segura ‌e imparcial de cuidados médicos", afirmou a MSF.

No mês passado, Israel ordenou que a MSF e outras 30 organizações internacionais interrompessem seu trabalho em Gaza e na Cisjordânia ocupada por Israel se não cumprissem as ⁠novas regras, incluindo o compartilhamento de detalhes sobre seus funcionários.

Em 30 de janeiro, a MSF afirmou que não apresentaria uma lista de funcionários a Israel, após não ter recebido garantias quanto à sua segurança.

REDE DE TÚNEIS SOB HOSPITAIS

As forças armadas israelenses afirmam que atacaram hospitais durante a guerra porque combatentes do Hamas estavam operando dentro deles, e partes da rede de túneis do Hamas foram encontradas sob instalações médicas. O grupo islâmico palestino nega ter usado hospitais para fins militares.

Alguns reféns israelenses, capturados durante o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 ao sul de Israel, que deu início à guerra, afirmaram ter sido mantidos no Hospital Nasser, o maior do sul de Gaza.

Os hospitais são locais protegidos pelo direito internacional. Tanto atacar hospitais quanto usá-los para fins militares são normalmente considerados uma violação da lei.

Embora as instalações médicas possam perder seu status de proteção sob certas condições, grupos de direitos humanos afirmam que Israel não apresentou evidências suficientes em muitos casos para justificar seus ataques contra elas durante a guerra.

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