Morte de líder de cartel no México gera represálias e levanta dúvidas sobre Copa
'El Mencho' era um dos maiores narcotraficantes do país
Ao menos 26 pessoas morreram no domingo (22) no México em meio a uma onda de violência ocasionada pelo assassinato de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como "El Mencho", líder do Cartel de Jalisco Nova Geração (CJNG). O episódio levantou dúvidas sobre a segurança no país, uma das sedes da Copa do Mundo, em junho.
Tido como um dos maiores narcotraficantes nacionais, Oseguera, de 59 anos, foi ferido em um confronto com o Exército na cidade de Tapalpa, no estado de Jalisco, mas faleceu a caminho da Cidade do México, informaram as Forças Armadas em comunicado emitido ontem.
Os Estados Unidos, que ajudaram na inteligência da operação, ofereciam uma recompensa de US$ 15 milhões (R$ 77,6 milhões) pela captura do criminoso.
Em represália à operação, homens armados bloquearam mais de 20 estradas no oeste do estado de Jalisco, incendiando carros e caminhões. Ataques ao comércio também foram registrados em diversas localidades.
Entre as vítimas da represália estão uma mulher grávida de três meses e 17 agentes: 15 membros da Guarda Nacional, um do Ministério Público e um guarda penitenciário. Oito mortes de criminosos também foram confirmadas.
Governo mexicano confirmou a morte do líder do cartel CJNG, 'El Mencho'Ao mesmo tempo, as forças de segurança prenderam ao menos 27 pessoas envolvidas em atos de violência ou em saques a comércios e instituições financeiras.
Com a disseminação da violência pelo país, pelo menos oito estados suspenderam as aulas presenciais nesta segunda (23) e o judiciário autorizou juízes a fecharem tribunais onde fosse necessário.
"Meus agradecimentos ao Exército, à Guarda Nacional, às Forças Armadas e ao Gabinete de Segurança. Trabalhamos todos os dias pela paz, segurança, justiça e bem-estar do México", escreveu no X a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, pedindo "calma" à população.
O incidente ocorre poucos meses antes do início da Copa do Mundo, em junho. Devido à tensão no país, a imprensa latino-americana questiona se Guadalajara, capital do estado de Jalisco, conseguirá garantir os padrões de segurança necessários para sediar quatro jogos do Mundial, incluindo um do país anfitrião contra a Coreia do Sul, em 18 de junho, e outro entre Uruguai e Espanha, no dia 26.
O canal mexicano Claro Sports informou que entrou em contato com a Fifa para obter um posicionamento oficial sobre o assunto, mas ainda não recebeu nenhuma informação.
Outra grande preocupação está ligada aos jogos de repescagem, marcados para março no Estádio Akron, em Guadalajara, os quais estão sendo reavaliados. As partidas em risco são a de 26 de março, entre Nova Caledônia e Jamaica, e a do dia 31, entre o vencedor desse duelo e a República Democrática do Congo.