Ministro israelense pede anexação do sul do Líbano
Israel deveria estender sua fronteira com o Líbano até o rio Litani, nas profundezas do sul do país, defendeu o ministro das Finanças de Israel nesta segunda-feira, enquanto tropas israelenses bombardeavam pontes e destruíam casas na área em um ataque militar cada vez mais intenso.
Os comentários do ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, foram os mais explícitos já feitos por uma autoridade israelense de alto escalão sobre a tomada do território libanês em uma luta que, segundo Israel, tem como alvo os militantes do Hezbollah apoiados pelo Irã.
O Líbano foi envolvido na guerra regional em 2 de março, quando o Hezbollah disparou mísseis contra Israel em apoio ao Irã. Desde então, Israel ordenou que todos os residentes deixassem a área ao sul do rio Litani, enquanto bombardeia a região com ataques aéreos, considerando-a um reduto do Hezbollah.
Um novo ataque israelense em Beirute, nesta segunda-feira, matou um comandante da Força Quds, da Guarda Revolucionária do Irã, segundo o Exército israelense.
Autoridades libanesas afirmam que os ataques aéreos e terrestres israelenses mataram mais de 1.000 pessoas, e mais de um milhão foram expulsos de suas casas.
NOVA FRONTEIRA
Smotrich disse a um programa de rádio israelense que a campanha militar no Líbano "precisa terminar com uma realidade totalmente diferente, tanto com a decisão do Hezbollah quanto com a mudança das fronteiras de Israel".
"Eu digo aqui definitivamente... em todas as salas e em todas as discussões também: a nova fronteira israelense deve ser o Litani", disse Smotrich.
Um oficial militar disse à Reuters nesta segunda-feira que não poderia comentar declarações de políticos ou os planos de longo prazo do governo, mas afirmou que as tropas terrestres israelenses estão limitando seus ataques a áreas próximas à fronteira, longe do Litani.
Líder de um pequeno partido de extrema-direita no gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, Smotrich frequentemente faz comentários que vão além da política oficial israelense.
O gabinete de Netanyahu não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. O ministro da Defesa, Israel Katz, deu a entender no início do mês que tem planos de capturar terras, dizendo que o Líbano pode enfrentar "perda de território" se não desarmar o Hezbollah.
As falas de Smotrich ressoaram no Líbano, que tenta sair de um ciclo de décadas de invasões e ocupações por parte de seu vizinho. As forças israelenses lançam repetidos ataques ao Líbano desde 1978 e ocuparam o sul do país de 1982 a 2000.
Uma autoridade libanesa disse à Reuters que Beirute ainda conta com as potências estrangeiras para exercer pressão suficiente sobre Israel para pôr fim à guerra, por meio de uma oferta do presidente Joseph Aoun para manter conversas diretas.
Smotrich também pediu que Israel anexe o território que atualmente controla na Faixa de Gaza, até uma linha de armistício com o Hamas. Um cessar-fogo assinado em outubro deixou Israel no controle de 53% de Gaza, onde ordenou a saída dos residentes e demoliu edifícios.