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'Minimizar Covid por populismo é irresponsável', diz Merkel

Chanceler apresentou detalhes do 'lockdown parcial' ao Parlamento

29 out 2020
07h44
atualizado às 08h40
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A chanceler alemã, Angela Merkel, voltou a atacar aqueles que usam o populismo para disseminar informações falsas durante a pandemia do coronavírus Sars-CoV-2.

Merkel apresentou detalhes as novas regras sanitárias no Bundestag
Merkel apresentou detalhes as novas regras sanitárias no Bundestag
Foto: EPA / Ansa

A líder apresentou os detalhes do "lockdown parcial" ao Bundestag (o Parlamento do país) nesta quinta-feira (29) e cobrou responsabilidade de todos.

"Minimizar a Covid de maneira populista é irresponsável. O debate crítico não enfraquece, mas reforça a democracia", disse aos parlamentares, destacando que é "justo" que sejam feitas críticas às medidas anunciadas para que o país busque o melhor caminho para combater a pandemia. "Mas, mentiras, desinformações e complôs só causam danos", pontuou.

Em julho, no discurso em que a Alemanha assumiu a presidência rotativa da União Europeia, a chefe do governo alemão pontuou que "o populismo que nega os fatos está mostrando seus limites" já que "estamos vendo no momento que a pandemia não pode ser combatida com mentiras e desinformação, nem pode ser com ódio e agitação".

Ao justificar as medidas anunciadas nesta quarta-feira (28), Merkel pontuou que a Alemanha "vive uma situação dramática, que atinge a todos sem exceção". "O número de pacientes nas unidades de terapia intensiva dobrou em 10 dias. Na passagem de algumas semanas, o sistema sanitário pode ficar sobrecarregado e as medidas são adequadas à situação", reforçou.

Apesar de classificar a crise sanitária como "um desafio enorme" para toda a Europa, Merkel ressaltou que agora "estamos mais preparados que no início da crise" e destacou ainda a coesão da União Europeia em temas como investimentos no desenvolvimento da vacina e na coordenação europeia sobre restrições à viagens entre os países do bloco econômico.

"Essa pandemia é um teste do ponto de vista médico, econômico, social, político e psicológico. Só com a coesão e com a disponibilidade para a troca recíproca pode ser enfrentada", disse ainda aos parlamentares.

Aos alemães, a chanceler pediu responsabilidade em todos os sentidos. "A liberdade não é fazer o que se quer. A liberdade é, sobretudo nesse momento, responsabilidade. Responsabilidade para consigo mesmo, para a família, para as pessoas em seu local de trabalho", ressaltou.

Em vários momentos, Merkel foi interrompida por gritos de políticos da oposição, ao que o presidente do Bundestag, Wolfgang Schäuble, precisou intervir para dizer que todos teriam o direito de se manifestar após a fala da chanceler. No entanto, quando a líder falou sobre a manutenção das escolas abertas durante todo o período, ela foi aplaudida pela maioria.

Nesta quarta, após uma reunião com seus ministros e os governadores dos estados alemães, Merkel anunciou um "lockdown parcial" a partir de 2 de novembro e que terá duração de um mês.

As novas regras incluem o fechamento de bares, restaurantes, teatros, cinemas, academias e piscinas, bem como reintroduz medidas para limitar o número de pessoas em encontros privados a 10 pessoas de duas residências diferentes. Tanto escolas como lojas (essenciais ou não) permanecerão abertas mantendo as regras básicas de distanciamento social, higienização constante das mãos e dos locais de uso e o uso de máscaras.

A Alemanha, assim como ocorre em outros países europeus, vem enfrentando uma alta exponencial no número de casos. No boletim divulgado pelo Instituto Robert Koch nesta quinta-feira, foram 16.774 contágios, um novo recorde, e 89 óbitos em 24 horas, o maior desde o início da crise sanitária em fevereiro. Ao todo, o país contabiliza 486.972 casos de Covid-19 e 10.281 vítimas. .
   

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