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Marine Le Pen lança candidatura à presidência da França em meio a onda de protestos

25 out 2026 - 15h10
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Resumo
Em meio a protestos violentos no país, a líder da extrema direita francesa Marine Le Pen lançou sua candidatura à presidência, liderando as pesquisas de intenção de voto com mais de 30%. Em seu discurso, ela prometeu tolerância zero contra o crime, controle de fronteiras, redução da influência da União Europeia e reformas econômicas pró-indústria. Mesmo recorrendo de uma condenação judicial, Le Pen busca consolidar sua imagem e indicou Jordan Bardella para o cargo de primeiro-ministro.

A líder da extrema direita francesa, Marine Le Pen, favorita ‌na corrida presidencial do próximo ano, lançou formalmente sua candidatura neste domingo prometendo restaurar a ordem e a confiança nacional.

Em um momento em que a França atravessa um de seus períodos mais turbulentos dos últimos anos, Le Pen se apresentou como a candidata mais preparada para enfrentar o que classificou como uma combinação crescente de crises econômica, social e de segurança.

"Não estamos vivendo o ⁠fim do mundo, mas o fim de um mundo, o mundo deles", disse ela, em referência a ‌seus adversários políticos.

Le Pen escolheu fazer seu primeiro discurso de campanha em Orléans, cidade associada a Joana d'Arc, heroína guerreira do século XV reverenciada por nacionalistas franceses como símbolo de patriotismo e ‌soberania.

Diante de uma multidão de apoiadores, ela prometeu uma política ‌de "tolerância zero" contra o crime e afirmou que restaurar a segurança é o principal ⁠dever do Estado.

Os protestos em massa contra o aumento do custo de vida e a desigualdade social, realizados no fim de semana passado, terminaram em episódios de saques e vandalismo.

PESQUISA COLOCA LE PEN NA LIDERANÇA

A turbulência nas ruas parece ter beneficiado Le Pen. Uma pesquisa de opinião divulgada neste domingo mostrou a líder da extrema direita com entre 32% e 33,5% das intenções de voto, bem ‌à frente de seu rival mais próximo, o líder da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon, que aparece com ‌17%.

O levantamento sugere que Le ⁠Pen derrotaria Mélenchon com ⁠facilidade em um eventual segundo turno, previsto para o início de maio.

Em uma tentativa de transmitir otimismo, Le Pen ⁠estruturou seu discurso em torno do tema de uma "Renascença" ‌nacional. Segundo ela, a França ‌vive um período de profunda transformação, mas sairá mais forte se adotar sua visão baseada em segurança, prosperidade e renovação.

"Nós dizemos: 'as coisas eram boas antes, serão melhores amanhã!'", afirmou.

Le Pen prometeu endurecer as políticas de imigração, restaurar controles de fronteira, expulsar automaticamente estrangeiros condenados por ⁠crimes e intensificar o combate a gangues e traficantes de drogas.

A própria Le Pen poderá fazer campanha usando uma tornozeleira eletrônica após ter sido condenada por desvio de recursos do Parlamento Europeu. Ela recorre da decisão judicial.

ECONOMIA, EUROPA E UNIDADE PARTIDÁRIA

Na economia, Le Pen prometeu contenção de gastos públicos, redução de impostos para empresas, menos burocracia e ‌apoio à indústria, à inovação e à inteligência artificial. Também rejeitou novas elevações da idade mínima de aposentadoria.

O congresso partidário foi planejado para demonstrar unidade na cúpula da legenda Reagrupamento Nacional. ⁠Jordan Bardella foi reeleito presidente do partido e apresentado como a escolha de Le Pen para o cargo de primeiro-ministro.

O discurso de Bardella foi interrompido por ativistas de uma união estudantil judaica, que chamaram atenção para recentes acusações de que ele teria feito comentários antissemitas na juventude, acusações que ele nega.

Le Pen passou mais de uma década tentando transformar o partido herdado de seu pai, Jean-Marie Le Pen, em 2011, suavizando sua imagem e ampliando seu apelo político para além da base tradicionalmente anti-imigração.

Sobre a Europa, Le Pen evitou defender uma saída da França da União Europeia, mas afirmou que reduzirá a influência de Bruxelas, restaurará o controle nacional sobre fronteiras e leis e colocará os interesses franceses em primeiro lugar, incluindo evitar o envolvimento do país em guerras estrangeiras.

"O futuro nos pertence", declarou, antes de liderar a multidão que agitava bandeiras francesas no canto do hino nacional.

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