Trump não pretende assumir controle de eleições estaduais, diz procurador-geral dos EUA
O procurador-geral dos EUA, Todd Blanche, negou que o governo Trump queira controlar eleições estaduais após o Departamento de Justiça tentar bloquear a certificação da disputa ao Senado no Alasca. A ação visa impedir a vitória da oposição em caso de margem apertada, alegando risco de confusão entre dois candidatos republicanos de nomes quase idênticos. Críticos e autoridades eleitorais veem o caso como interferência indevida e um teste para contestar resultados que definem o Congresso.
O esforço do Departamento de Justiça dos Estados Unidos para bloquear preventivamente a certificação do resultado da eleição para o Senado no Estado do Alasca não tem como objetivo dar ao presidente dos EUA, Donald Trump, controle sobre eleições estaduais, afirmou neste domingo o procurador-geral norte-americano, Todd Blanche.
O órgão comandado por Blanche entrou com uma ação na sexta-feira para impedir que o Alasca certifique o resultado da disputa para o Senado dos EUA caso o candidato republicano à reeleição seja derrotado por uma margem apertada. Mas, segundo Blanche, o Departamento de Justiça não está preparando terreno para reverter um resultado eleitoral desfavorável a Trump.
"O presidente Trump não está tentando assumir o controle de uma eleição estadual de forma alguma", disse Blanche ao programa "State of the Union", da CNN. "Não estamos criando as bases para que o presidente faça isso."
Autoridades eleitorais de todo o país disseram à Reuters que estão se preparando para possíveis interferências federais nas eleições legislativas de 3 de novembro, que definirão o controle do Congresso dos EUA. Entre as preocupações estão contestações judiciais e disputas sobre a votação que possam atrasar ou impedir a certificação dos resultados.
Além do processo contra o Alasca, o governo Trump adotou outras medidas relacionadas ao sistema eleitoral dos Estados, incluindo uma ação judicial para impedir a Califórnia de contabilizar determinadas cédulas enviadas pelo correio e uma tentativa, em grande parte malsucedida, de obrigar 30 Estados e o Distrito de Columbia a fornecerem listas completas de eleitores.
Blanche afirmou que a ação referente ao Alasca diz respeito especificamente àquele Estado e reiterou o argumento do governo Trump de que os eleitores podem ficar "confusos" porque dois republicanos na cédula têm nomes quase idênticos: o senador em exercício Dan S. Sullivan e o desafiante Dan J. Sullivan Jr.. Segundo Blanche, o segundo candidato concorre apenas "para confundir os eleitores".
"Nunca antes adversários chegaram a tais extremos para tentar sabotar e fraudar uma eleição como neste caso", afirmou Blanche à CNN.
Dan J. Sullivan tem negado, em entrevistas à imprensa norte-americana, que sua candidatura tenha o objetivo de causar confusão ou desviar votos de Dan S. Sullivan. Sua campanha não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Blanche disse que a ação judicial foi apresentada para dar às autoridades "a capacidade de determinar se houve confusão que viole a lei".
Ele se recusou a comentar se Trump ordenou que apresentasse o processo, embora o próprio presidente tenha afirmado que o fez. Trump voltou a comentar o caso do Alasca neste domingo, acusando os democratas de orquestrarem a candidatura de Dan J. Sullivan.
"Eles tornaram tudo muito confuso e acho isso muito injusto", disse Trump a jornalistas antes de embarcar para o Estado de Michigan. "Acho que é ilegal porque é injusto. Você quer justiça nas eleições."
Críticos da iniciativa, incluindo autoridades eleitorais democratas e alguns republicanos, veem o movimento como parte de um padrão de excessiva intervenção federal na supervisão de eleições.
"O fato de Todd Blanche e o Departamento de Justiça estarem dispostos a apoiar isso e a colocar seus nomes nisso é uma indicação de até onde irão depois que esta eleição terminar para tentar contestar os resultados", disse o senador democrata da Califórnia Adam Schiff ao programa "Meet the Press", da NBC, neste domingo.
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