Marine Le Pen promete 'restaurar a ordem' ao lançar campanha presidencial na França
A líder da extrema direita na França, Marine Le Pen, favorita nas pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais de 2027, fez neste domingo (25) seu primeiro grande discurso de campanha, no qual prometeu "restabelecer o Estado de Direito" diante dos recentes protestos no país, marcados por confrontos entre policiais e manifestantes.
Marine Le Pen lançou sua campanha presidencial na França prometendo restaurar a ordem, combater a insegurança e endurecer as leis de imigração. Em comício para 8,5 mil pessoas em Orléans, a líder de extrema direita criticou o governo de Emmanuel Macron pela perda de autoridade em meio a tensões sociais e protestos econômicos. Impulsionada pela crise no país e pela fragmentação política, Le Pen lidera as pesquisas de intenção de voto com ampla margem para vencer o pleito em ambos os turnos.
Em seu primeiro grande comício de campanha, Le Pen discursou diante de cerca de 8,5 mil apoiadores de seu partido, o Reunião Nacional (RN), em Orléans, no centro do país. "O que propomos para o país não é um retorno ao passado, mas o amanhecer de uma nova era", afirmou a dirigente de 58 anos, em meio a gritos de "Vamos vencer!" e "Macron, renuncie!".
Segundo as pesquisas, ela vem se beneficiando politicamente da crise que a França atravessa, chegando a ganhar pontos percentuais nas intenções de voto, aponta a imprensa local.
Le Pen também prometeu preservar a identidade cultural francesa, da língua e das tradições aos valores e ao modo de vida do país, o que provocou uma ovação entre seus apoiadores, que agitavam bandeiras francesas. "Queremos que a França recupere sua força", acrescentou.
Charlene Malingre, uma das participantes do comício, disse que está cada vez mais preocupada com a insegurança na França. "Acredito que Marine Le Pen pode salvar o país da situação atual, sobretudo no que diz respeito à economia, à segurança e à manutenção da ordem", afirmou.
O comício acontece em um contexto de fortes tensões sociais e econômicas. No sábado (24), centenas de milhares de pessoas voltaram às ruas, em manifestações contra o alto custo de vida, em atos que transcorreram, em sua maioria, de forma pacífica, sob um esquema de segurança reforçado em relação ao fim de semana anterior, quando ocorreram casos de violência e saques em várias cidades.
"Restabelecer o Estado de Direito"
A candidata de extrema direita acusou o governo de centro-direita de Emmanuel Macron de demonstrar fraqueza diante dos distúrbios e de ter perdido a autoridade. "Quem pode afirmar que existe um Estado de Direito quando hordas vêm saquear e incendiar nossos edifícios?", questionou Le Pen. "Vamos restabelecer o Estado de Direito", prometeu.
Ela também se comprometeu a tornar mais rígidas as leis de imigração, tanto em nível nacional quanto europeu. "Restabeleceremos nossas fronteiras, uma dupla fronteira: uma francesa e outra europeia", afirmou. "A nacionalidade francesa voltará a ser um privilégio que se herda ou se merece", acrescentou.
Le Pen lidera todas as pesquisas de intenção de voto para suceder Macron, que não pode disputar essas eleições. A candidata de extrema direita ficaria muito à frente no primeiro turno, com até 38% dos votos, e venceria no segundo turno contra qualquer um de seus possíveis adversários.
Seu partido se beneficia da fragmentação do centro político e das dificuldades enfrentadas pelos partidos tradicionais. Seu principal adversário, o líder do partido de esquerda radical França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, seria prejudicado pela baixa transferência de votos caso chegasse ao segundo turno e sofreria uma derrota contundente, segundo as pesquisas.
Com AFP
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