Saiba quem era o jovem negro morto em atentado terrorista racista na região de Paris
Aos 26 anos, Pengo Bossio Wangi alimentava o sonho de transformar sua paixão pelas artes marciais mistas em uma carreira profissional. Descrito por amigos e treinadores como um jovem trabalhador, determinado e sempre sorridente, ele foi a vítima fatal do atentado terrorista de motivação racista ocorrido na sexta-feira (23) em Trappes, na região metropolitana de Paris. O ataque também deixou cinco feridos, entre eles uma menina de 12 anos.
O assassinato do jovem negro Pengo Bossio Wangi, na região de Paris, é investigado como atentado terrorista racista e gerou forte comoção e protestos. Considerado uma promessa do MMA na Atch Academy, onde treinava rumo à carreira profissional, ele via no esporte uma via de ascensão social após uma infância em abrigo. Descrito como dedicado e generoso, Wangi recebeu homenagens de atletas e autoridades, enquanto o suspeito do ataque teve a custódia suspensa para observação psiquiátrica.
Neste domingo (25), a Promotoria Nacional Antiterrorismo informou que a custódia policial do principal suspeito foi suspensa para observação psiquiátrica.
Segundo a emissora pública francesa France Info, a morte do atleta provocou forte comoção no meio esportivo e na comunidade onde vivia.
Frequentador assíduo da Atch Academy, clube de MMA localizado em Aubervilliers, na periferia de Paris, Pengo Bossio Wangi treinava havia três anos ao lado de atletas de alto nível, incluindo o campeão francês Salahdine Parnasse. Para pessoas próximas, o esporte representava muito mais do que uma atividade física.
Criado em um abrigo durante parte da infância e da juventude, o jovem passou por diversos empregos temporários antes de encontrar no MMA uma perspectiva de ascensão social. "Mais do que um clube, o MMA representava para ele uma porta de saída social", relatou um amigo à France Info.
A dedicação ao esporte impressionava até os profissionais mais experientes da modalidade. Quase todas as noites, ele percorria um trajeto que consumia cerca de duas horas e quarenta minutos para participar de duas horas de treinamento. Fundador da academia, Stéphane Chaufourier, conhecido como "Atch" e considerado um dos pioneiros do MMA na França, afirmou à AFP que o atleta estava próximo de alcançar o nível profissional.
"Ele tinha sete lutas amadoras e caminhava para uma carreira profissional. É muito raro encontrar alguém que se dedique tanto a esse tipo de esporte", disse o treinador.
Além de suas ambições esportivas, amigos e colegas destacam as qualidades humanas do jovem. À rádio France Inter, um amigo o descreveu como alguém "radiante, simpático, alegre e divertido". Já integrantes da academia o lembram como um homem respeitoso, generoso e sempre disposto a incentivar os demais atletas.
Sorridente e generoso
Em homenagem publicada nas redes sociais, a Atch Academy afirmou que o sorriso, a energia e a generosidade de Pengo Bossio Wangi permanecerão na memória do clube. "Dentro e fora dos tatames, ele era daqueles que dão o exemplo: presente, respeitoso e sempre pronto para incentivar os outros a crescer", escreveu a instituição.
A morte do jovem provocou indignação entre seus companheiros de treino. Um funcionário da academia, também de origem congolesa, lamentou à AFP que alguém pudesse ser morto por causa da cor da própria pele. O ataque passou a ser investigado pela Promotoria Nacional Antiterrorismo, enquanto o presidente Emmanuel Macron classificou o episódio como um "atentado terrorista racista".
Uma caminhada em homenagem a Pengo Bossio Wangi foi organizada para este domingo em Aubervilliers, com saída da prefeitura da cidade. O clube também lançou uma campanha de arrecadação para ajudar a família a custear as despesas do funeral.
No sábado (24), em Trappes, onde o jovem foi assassinado, familiares, atletas de MMA, moradores e autoridades caminharam em silêncio e empunharam cartazes exigindo justiça. "Não somos alvos, nossas vidas importam" e "Trappes exige justiça e verdade" eram algumas das mensagens exibidas ao longo do percurso.
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