Manifestantes atacam busto de general colonialista em Roma
Antonio Baldissera comandou tropas italianas na Eritreia
Manifestantes antirracismo jogaram tinta vermelha sobre um busto em Roma do general Antonio Baldissera (1838-1917), antigo comandante das tropas italianas na Eritreia, na madrugada desta sexta-feira (19).
O ato acontece em meio aos crescentes questionamentos contra monumentos em homenagem a personagens escravocratas, racistas e colonialistas em países ocidentais.
A ação foi reivindicada pelo grupo "Restiamo umani" ("Permaneçamos humanos", em tradução livre). "Desmantelaremos os símbolos do colonialismo na capital", disse a organização, criticando estátuas que "conferem glória eterna a homens culpados das piores atrocidades".
Baldissera também foi governador-geral da Eritreia, primeira colônia do então Reino da Itália na África, entre 1888 e 1889. Segundo o grupo "Restiamo umani", o passado colonial italiano deve ser lembrado como um "crime".
Além disso, os manifestantes espalharam placas com os nomes de George Floyd, ex-segurança negro assassinado por um policial branco nos Estados Unidos, e Bilal Ben Messaud, migrante que morreu após ter tentado fugir de um navio de quarentena na costa italiana.
As placas foram colocadas sobre os nomes da rua e do largo Amba Aradam, que homenageiam uma batalha entre a Itália fascista e a Etiópia na década de 1930.
No último fim de semana, manifestantes de Milão já haviam pichado uma estátua do jornalista Indro Montanelli (1909-2001), que serviu na Etiópia e admitiu ter comprado uma menina eritreia de 12 anos como escrava.