0

Libertação e 'Salva Roma': as novas crises no governo italiano

Os partidos Liga e M5S voltaram a entrar em atrito

23 abr 2019
19h42
atualizado às 20h03
  • separator
  • comentários

O Dia da Libertação, celebrado em 25 de abril e que relembra a derrota do regime nazifascista na Itália, virou motivo de mais uma divisão dentro do governo, que se vê em uma crise cada vez mais aberta entre o antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) e a ultranacionalista Liga.

Mural em Roma retrata Di Maio e Salvini como o "gato" e a "raposa" que tiram o "Pinóquio" Giuseppe Conte do caminho certo
Mural em Roma retrata Di Maio e Salvini como o "gato" e a "raposa" que tiram o "Pinóquio" Giuseppe Conte do caminho certo
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A data costuma ser marcada por manifestações de partidos políticos, grupos antifascistas, partisans e da comunidade judaica para celebrar a libertação da Itália do nazifascismo, em atos que sempre contam com as principais autoridades do país, independentemente da coloração política.

O ministro do Interior e vice-premier Matteo Salvini, no entanto, anunciou que não participará de nenhum evento pela derrota do nazifascismo e que, ao invés disso, irá a Corleone, berço da Cosa Nostra, para inaugurar uma delegacia de polícia.

"Quero passar o próximo dia 25 de abril com a polícia em Corleone, porque a Libertação de que o país precisa agora é a da máfia", afirmou o secretário da Liga em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira (23). Segundo ele, seu objetivo é mostrar a disposição do governo em combater as organizações mafiosas.

A mesma postura será copiada pelos outros ministros e governadores da Liga, o que provocou irritação no outro vice-premier italiano, Luigi Di Maio, líder do M5S. "Tenho bem claro de que lado estar em 25 de abril: do lado dos partisans que nos libertaram, não de quem fala mal dos partisans ou de quem diz que 25 de abril não foi o dia da Libertação", declarou.

Di Maio, acompanhado da prefeita de Roma, Virginia Raggi, e de outros ministros do M5S, participará de um ato da comunidade judaica da capital italiana, A instabilidade no governo vem aumentando na medida em que se aproxima a eleição para renovar o Parlamento Europeu, de 23 a 26 de maio.

As pesquisas mostram que a Liga deve se tornar o partido mais popular do país, superando o M5S e invertendo a correlação de forças no governo. Com isso, os partidos de direita aliados de Salvini em âmbito regional aumentarão a pressão para ele derrubar o primeiro-ministro Giuseppe Conte e formar um gabinete apenas com conservadores.

"Salva Roma"

Outro motivo de polêmica entre os dois partidos da base aliada é a norma chamada de "Salva Roma", que transfere parte da enorme dívida da capital para o Estado.

A medida é apoiada pelo M5S, que governa a cidade, mas Salvini diz que não aceitará um tratamento privilegiado para a maior metrópole do país. O ministro chegou até a cobrar a renúncia de Raggi e a questionar sua capacidade de liderar Roma.

Para o M5S, no entanto, as polêmicas sobre a capital são apenas uma estratégia para desviar a atenção das acusações contra o subsecretário do Ministério dos Transportes Armando Siri, aliado próximo de Salvini e que é investigado por corrupção.

O movimento antissistema exige sua saída do governo, porém o ministro do Interior vem resistindo às pressões e segurando Siri no cargo. Fontes da base aliada já dizem que, após as eleições europeias, qualquer novo atrito entre Liga e M5S será fatal para a continuidade do governo.

Ansa - Brasil   

compartilhe

comente

  • comentários
publicidade