Italiano morto na Venezuela falava por vídeo com filha quando tremores começaram
Giuseppe Colaianni conseguiu salvar vida da esposa antes de ser soterrado
A primeira vítima italiana confirmada nos terremotos que atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira (24) fazia uma videochamada com a filha aniversariante quando os tremores começaram. Ele ainda conseguiu salvar a vida da esposa antes de ser soterrado.
Giuseppe Colaianni, de 55 anos, natural de Calascibetta, na Sicília, era casado com uma venezuelana, com quem teve dois filhos: Antonella, de 22 anos, que estuda na França, e Egidio, de 27, que trabalha como engenheiro químico em Florença.
Fazia 20 dias que Colaianni e a esposa tinham regressado a Caracas após visitarem a filha na França.
No momento dos abalos sísmicos de 7.2 e 7.5 de magnitude na escala Richter, o casal realizava uma videochamada com Antonella para desejar-lhe um feliz aniversário.
"Em determinado momento, Antonella me disse que a transmissão caiu bruscamente. Foi a última vez que ela viu o pai", contou uma prima do italiano, Giovanna Colaianni, que vive em Calascibetta.
Colaianni trabalhava para uma empresa de logística internacional. Assim que sentiu o primeiro tremor, o homem conseguiu levar a esposa para um local seguro, mas acabou soterrado pelos escombros.
Além dele, uma outra siciliana que mora na Venezuela está desaparecida desde os abalos sísmicos. A família de Francesca Mannina, natural de Balestrate, lançou uma campanha "urgente" nas redes sociais a fim de encontrá-la.
"Não temos notícias de Francesca Mannina desde o dia 24 de junho de 2026, quando ela tentava sair do prédio, que desabou. Qualquer informação pode ser importante. Sua família a procura desesperadamente", diz o texto do apelo.
O marido de Mannina foi encontrado com vida na quinta-feira (25), sem que haja ainda qualquer sinal dela.
De acordo com a Unidade de Crise do Ministério das Relações Exteriores da Itália, existem cerca de 3 mil italianos morando na área próxima ao epicentro do terremoto que devastou a Venezuela. Esse número sobe para 65 mil quando se considera toda a região afetada pelo tremor.
"A situação é complicada: as operações de busca e resgate avançam lentamente", afirmou Maria Teresa Del Re, funcionária da Unidade de Crise da Farnesina, acrescentando que os órgãos oficiais de Roma no país sul-americano "têm recebido inúmeras ligações de cidadãos italianos que vivem no local". "É uma situação muito instável", disse.
Segundo ela, além do falecimento de Giuseppe Colaianni, "não se pode descartar a possibilidade de outras vítimas italianas, dada a magnitude do terremoto".
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