Itália reabre inquérito sobre acidente aéreo que matou 81 pessoas em 1980
Suspeita é de que avião da antiga Itavia teria sido derrubado por míssil
A Justiça italiana reabriu as investigações sobre a queda do voo DC9 em Ustica, que matou 81 pessoas em 1980, após a França indicar que cooperará com novos documentos. A tragédia, cujas causas nunca foram totalmente esclarecidas, tem como tese principal o disparo de um míssil durante um confronto entre caças da Otan e da Líbia. A recente iniciativa ocorre após o ex-premiê Giuliano Amato sugerir que um míssil francês derrubou a aeronave em uma suposta tentativa de atingir Muammar Kadafi.
Após 46 anos de reviravoltas e mistérios, a Itália reabriu as investigações sobre um acidente aéreo que matou 81 pessoas em 1980 e que permanece como uma ferida aberta na história do país.
O juiz de instrução de Roma restituiu nesta sexta-feira (2) os autos do inquérito sobre o desastre de Ustica ao Ministério Público, que havia pedido o arquivamento do caso, mas mudou de ideia nesta semana, após a suposta decisão da França de oferecer plena colaboração no caso.
O avião, um DC9 operado pela extinta companhia aérea Itavia e que voava de Bolonha a Palermo, caiu no Mar Tirreno, entre as ilhas de Ponza e Ustica, no dia 27 de junho de 1980, matando todas as pessoas a bordo.
As causas da tragédia nunca foram esclarecidas, mas, em outubro de 2013, a Suprema Corte de Cassação da Itália considerou "consagrada" a tese de que um míssil foi o responsável pela queda da aeronave, possivelmente no âmbito de um embate entre caças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da Líbia ? os destroços de um avião de combate líbio seriam encontrados um mês depois nas montanhas da Calábria, região do sul italiano banhada pelo Mar Tirreno.
Em 2023, o ex-premiê Giuliano Amato reacendeu o caso ao afirmar que acreditava que o DC9 tinha sido derrubado por um míssil lançado pela França, em uma suposta tentativa de assassinar o então ditador da Líbia, Muammar Kadafi.
Na última segunda-feira (28), o caso ganhou um novo capítulo quando fontes italianas informaram que a Embaixada da França em Roma teria dito ao Ministério das Relações Exteriores que iria transferir toda a documentação relativa ao desastre de Ustica, com arquivos datados até os anos 1990.
"A disposição das autoridades francesas de cooperar abre uma nova linha de investigação e novas perspectivas", disse o procurador-chefe de Roma, Francesco Lo Voi, na última quarta (30).
A Embaixada de Paris, no entanto, explicou ao juiz de instrução que não tem conhecimento sobre "nenhum pedido de assistência judiciária pendente" e que nunca houve "qualquer resistência em fornecer" documentos solicitados pela parte italiana, que sempre acusou Paris de não cooperar plenamente com o inquérito. .
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