Itália e Alemanha reiteram 'máxima proteção' às fronteiras externas da UE
Berlim não cumpriu transferimento de jovem somali ao território italiano
O vice-premiê da Itália e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, reiterou nesta quarta-feira (19) a prioridade no tema da migração durante conversa com seu homólogo alemão, Johann Wadephul. Ainda hoje, sem dar explicações, Berlim não cumpriu a transferência prevista de uma jovem somali ao território italiano.
"Compartilhamos uma preocupação comum em relação a Ceuta e à necessidade de garantir a máxima proteção das fronteiras externas da Europa", revelou Tajani no X a respeito do telefonema com Wadephul.
Segundo o chanceler italiano, eles também reafirmaram "a necessidade de um combate coordenado aos traficantes e do fortalecimento da dimensão externa da UE".
Na segunda-feira (17), Tajani disse não haver um prazo definido para encerrar o controle nas fronteiras com a Espanha, após a suspensão do Espaço Schengen em 31 de julho em meio à migração de milhares de deslocados em Ceuta, cidade autônoma espanhola em Marrocos.
Segundo o vice-premiê, "a segurança das fronteiras e o combate ao terrorismo são duas prioridades de Roma".
Já o atual governo alemão, por mais que não tenha tomado a mesma decisão da Itália em relação a Madri, tem intensificado a repressão contra migrantes ilegais em seu território, tendo anunciado a intensão de retomar as transferências de deslocados para os países por onde entraram na UE, entre eles a Itália - a medida se enquadra nas novas regras do Pacto Europeu sobre Migração e Asilo.
Um dos casos que estava na mira das autoridades alemãs era o de Faduma Abdirisaq Warsame, uma solicitante de asilo somali de 22 anos que chegou à Alemanha em 31 de março, depois de passar pela Itália.
Warsame deveria ter sido deportada para o território italiano nesta quarta, mas ontem, a comunidade religiosa de Nuremberg concedeu proteção e abrigo à jovem e a polícia não apareceu para expulsá-la do país. O governo alemão não deu qualquer explicação sobre o fato.
A jovem deixou a Somália após relatar que fugia do pai e de um casamento arranjado. Sua mãe, seu irmão e outros familiares vivem na Alemanha, onde ela decidiu apresentar o pedido de proteção internacional. As autoridades alemãs, porém, consideraram que o caso deve ser analisado pela Itália, país por onde ela entrou na UE. .
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