Israel prolonga por dois dias detenção dos militantes brasileiro e espanhol da Flotilha de Gaza
Thiago Ávila e Saif Abu Keshek compareceram na manhã deste domingo (3) ao tribunal de Ashkelon, no norte de Israel, onde estão detidos, informou a ONG de defesa dos direitos humanos Adalah. A Justiça decidiu prolongar a detenção deles por mais dois dias, metade do prazo pedido pelas autoridades israelenses.
"O Estado de Israel pediu a prorrogação da detenção deles por quatro dias", informou Miriam Azem Adalah, da ONG de defesa dos direitos humanos Adalah. Antes da audiência no tribunal de Ashkelon, os advogados da ONG puderam visitar os dois militantes na prisão de Shikma.
De acordo com Adalah, o brasileiro Thiago Ávila e o espanhol Saif Abu Keshek relataram uma detenção de "extrema brutalidade". Eles foram informados de que seriam interrogados pelos serviços de segurança interna israelenses sob suspeita de "afiliação a uma organização terrorista".
Segundo o Ministério das Relações Exteriores de Israel, Saif Abu Keshek é "um dos dirigentes" da Conferência Palestina para os Palestinos no Exterior (PCPA), uma associação beneficente acusada pelos Estados Unidos e por Israel de ser afiliada ao movimento islâmico palestino Hamas, que governa a Faixa de Gaza.
Já Thiago Ávila "trabalha com a PCPA e é suspeito de atividades ilegais", de acordo com o ministério israelense.
Brasil e Espanha denunciam detenção
Brasil e Espanha denunciaram a detenção dos dois militantes em Israel.
A diplomacia espanhola negou qualquer vínculo entre Saif Abu Keshek e o Hamas.
Israel "não apresentou nenhum elemento de prova para sustentar essa acusação", declarou no sábado (2) o chanceler espanhol José Manuel Albares.
Mesmo que houvesse provas, "existem vias judiciais em uma democracia, em um Estado de Direito", para tratar do assunto.
Ele classificou como "completamente ilegal" e "inaceitável" a prisão do cidadão espanhol em águas internacionais, "fora de qualquer jurisdição".
Flotilha interceptada ao largo da Grécia
Cerca de 175 militantes de diversas nacionalidades foram detidos na quinta-feira, em cerca de 20 embarcações, ao largo da Grécia. Segundo os organizadores, essa nova flotilha tinha como objetivo romper o bloqueio israelense à Faixa de Gaza, onde o acesso à ajuda humanitária continua fortemente restrito.
A prisão, "realizada de forma pacífica", de acordo com Israel, ocorreu a centenas de quilômetros de Gaza, em águas internacionais ao largo da ilha de Creta. Desta vez, os barcos foram interceptados muito mais longe da costa israelense do que nas interceptações anteriores. Vários países denunciaram a operação como "ilegal".
Israel libertou todos os militantes na Grécia após um acordo com as autoridades locais, com exceção de Thiago Ávila e Saif Abu Keshek.
Quem é Thiago Ávila
Thiago Ávila é um ativista brasileiro, economista e pesquisador, conhecido por sua atuação em causas sociais, ambientais e humanitárias. Ele integra redes internacionais de solidariedade e já participou de missões e campanhas voltadas à defesa de direitos humanos, incluindo ações relacionadas à Palestina.
Na "Flotilha para Gaza", Ávila atuou como um dos principais organizadores, coordenando voluntários e articulando a participação latino‑americana na iniciativa.
Com AFP
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