Israel emprega estratégia militar inédita ao bombardear Teerã e ampliar posições no Líbano
Novas explosões foram registradas na manhã desta terça-feira (3) em Teerã, no quarto dia de guerra no Oriente Médio
Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel e agências
As sirenes foram ativadas em todas as regiões de Israel. No entanto, não há relatos de feridos ou vítimas fatais até o momento. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu justificou os ataques contra o Irã indicando que os programas nuclear e balístico iranianos estariam "inatingíveis" em poucos meses, caso Israel e os Estados Unidos não tivessem bombardeado o país.
Destroços de mísseis iranianos abatidos caíram em Tiberíades e Tamra, no norte de Israel. Cidade de população árabe, Tamra já havia sido atingida por um míssil disparado pelo Irã durante a guerra de junho do ano passado.
Israel também continua a atuar com liberdade nos céus do Irã. Segundo estimativas do exército, até agora, entre mil e 1.500 membros da Guarda Revolucionária Islâmica e das forças de segurança iranianas foram mortos nos ataques.
Nunca em sua história, as forças israelenses foram mobilizadas em duas frentes de guerra simultaneamente, um deles a mais de 1.500 km de suas bases, como é o caso de Teerã. Os bombardeios sobre a capital iraniana são contínuos, com três rotações por dia e por avião, o que é possível com a ajuda de várias aeronaves de reabastecimento americanas.
Hezbollah reage à guerra
No Líbano, o grupo xiita Hezbollah, aliado do Irã, enviou um comunicado declarando que entrou oficialmente em guerra contra Israel. Segundo a milícia libanesa, a decisão é parte de "uma ação defensiva e um direito legítimo, com o objetivo de pôr fim às mortes e à destruição por todos os meios disponíveis e com ações eficazes".
O grupo disparou cerca de 15 foguetes contra o extremo norte de Israel e as Colinas de Golã. Não houve feridos em decorrência desses disparos. O Hezbollah afirma ter atacado três bases em Israel em retaliação aos ataques do exército no Líbano. Israel voltou a atacar o sul do país vizinho e emitiu alertas para que a população civil libanesa deixe a região. Os alertas também foram estendidos ao subúrbio de Dahieh, reduto do Hezbollah na capital, Beirute. A Força Aérea de Israel também atingiu os estúdios do canal de TV Al-Manar, que pertence ao Hezbollah.
Diante dos ataques do Hezbollah, que mais uma vez desestabilizam o Líbano, a presidência libanesa publicou um comunicado proibindo "as atividades militares ilegais" da milícia no país.
Aliados americanos continuam sob ataque
A guerra no Oriente Médio desencadeada pela ofensiva de Israel e dos Estados Unidos ao Irã não dá sinais de trégua. Um ataque com drones atingiu a embaixada dos Estados Unidos na Arábia Saudita nesta terça-feira. Na capital e em outras cidades sauditas, os cidadãos foram orientados a permanecer confinados.
Já alvo de mísseis iranianos nos primeiros dias do conflito, a monarquia sunita anunciou ter interceptado oito drones perto de Riade e da cidade vizinha de Al-Kharj, provocando "um incêndio de pequenas proporções e danos materiais menores", segundo o Ministério da Defesa saudita.
Em meio aos ataques iranianos contra países do Golfo Pérsico, a embaixada dos EUA no Kuwait anunciou, nesta terça-feira, o seu fechamento. "Devido às tensões regionais em curso, a Embaixada dos EUA no Kuwait permanecerá fechada por tempo indeterminado. Cancelamos todos os atendimentos consulares", afirma o comunicado divulgado no X. Na segunda-feira (2), um jornalista da AFP viu fumaça saindo da embaixada americana na capital kuwaitiana após os ataques do Irã.
Washington ordenou a saída de seu corpo diplomático "não essencial" do Iraque, da Jordânia e do Bahrein.
Quanto tempo de guerra?
De acordo com o presidente Donald Trump, a guerra contra o Irã poderá durar um mês ou mais. O líder americano também disse que não hesitaria em enviar tropas à região se "considerar necessário". Seis militares americanos morreram desde o início da guerra.
Já o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, disse em entrevista ao canal de TV Fox News que "não haverá uma guerra sem fim", assegurando que, em vez disso, será uma "ação rápida e decisiva", que "pode levar algum tempo, mas não anos".
A França se prepara para fretar voos para repatriar seus cidadãos mais vulneráveis.
A guerra também afeta o fornecimento global de petróleo, gás, fertilizantes e inúmeros outros produtos transportados por cargueiros bloqueados no estreito de Ormuz, provocando quedas expressivas nos mercados de ações internacionais.
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