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Relações Irã-Israel: política, proxy wars e hegemonia

Relações Irã-Israel: entenda a disputa de poder, guerras por procuração e hegemonia no Oriente Médio hoje

3 mar 2026 - 07h33
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As relações entre Irã e Israel mudaram de forma profunda desde 1948. Ao longo de quase oito décadas, cooperação e hostilidade se alternaram. Hoje, essa rivalidade influencia guerras, alianças e disputas de poder em todo o Oriente Médio.

O tema tornou-se central para entender a geopolítica regional. A tensão entre os dois países envolve ideologia, segurança e religião. Além disso, afeta diretamente a posição de potências globais na área, como Estados Unidos, Rússia e países europeus.

Irã x Israel – depositphotos.com / LessLemon
Irã x Israel – depositphotos.com / LessLemon
Foto: Giro 10

Como surgiu a era de cooperação entre Irã e Israel (1948-1979)?

Logo após a criação de Israel, em 1948, o Irã reconheceu o novo Estado de forma de fato. O governo do xá Mohammad Reza Pahlavi via Israel como parceiro útil. Em especial, enxergava o país como aliado contra o nacionalismo árabe e a influência soviética. Assim, os dois lados abriram canais diplomáticos e comerciais.

Nesse período, Israel buscava romper o isolamento regional. Já o Irã procurava apoio tecnológico, militar e econômico. Por isso, os governos assinaram acordos na área de agricultura, petróleo e segurança. Agências de inteligência, como Mossad e SAVAK, também trocaram informações. Esse alinhamento integrava a chamada "Doutrina da Periferia", em que Israel aproximava-se de Estados não árabes vizinhos.

O petróleo tornou-se elemento decisivo na cooperação Irã-Israel. O xá exportava combustíveis para Israel, mesmo sob críticas de países árabes. Em contrapartida, Israel colaborava em projetos de infraestrutura e modernização. Desse modo, a relação manteve tom pragmático, focado em benefícios estratégicos, e não em afinidades culturais.

Por que a Revolução Islâmica de 1979 rompeu a parceria Irã-Israel?

A Revolução Islâmica de 1979 alterou por completo a política externa iraniana. O novo regime, liderado pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, adotou discurso fortemente religioso. A liderança passou a retratar Israel como "entidade opressora" na região. Dessa forma, o governo encerrou relações diplomáticas, expulsou representantes israelenses e entregou a antiga embaixada à Organização para a Libertação da Palestina.

Com a mudança de regime, Teerã substituiu a postura pragmática por abordagem ideológica. A causa palestina ganhou centralidade no discurso iraniano. O Irã passou a se apresentar como defensor dos "oprimidos" muçulmanos. A partir disso, a retórica anti-Israel entrou na Constituição e no sistema político. O conflito deixou de ser apenas territorial e assumiu dimensões religiosas, envolvendo leitura xiita da política regional.

Ao mesmo tempo, a Guerra Irã-Iraque, nos anos 1980, reforçou a visão de cerco. A liderança iraniana associou Israel, Estados Unidos e alguns árabes do Golfo a um mesmo bloco de pressão. Essa percepção incentivou Teerã a buscar instrumentos indiretos de confronto. A partir daí, grupos armados não estatais passaram a integrar a estratégia.

Relações Irã-Israel e o conflito por procuração: como surgem Hezbollah e Hamas?

Com o corte de laços diretos, o Irã adotou a guerra por procuração. Em vez de atacar Israel de forma aberta, o regime apoiou grupos armados na região. O caso mais emblemático envolve o Hezbollah, no Líbano. O grupo nasceu no início dos anos 1980, durante a guerra civil libanesa e a ocupação israelense do sul do país.

Inclusive, o Irã forneceu treinamento, financiamento e armamento ao Hezbollah. A Guarda Revolucionária, em especial a Força Quds, atuou como ponte entre Teerã e o movimento libanês. Com o tempo, o Hezbollah passou a combinar atuação política e militar. Ou seja, participa de eleições e, ao mesmo tempo, mantém arsenal significativo. Essa estrutura ampliou a capacidade iraniana de projetar poder na fronteira de Israel.

No caso do Hamas, a dinâmica apresenta nuances diferentes. O grupo, de matriz sunita, surgiu no fim da década de 1980, durante a Primeira Intifada. Mais tarde, por causa da resistência armada contra Israel, o Hamas aproximou-se do Irã. Teerã ofereceu apoio financeiro, armas e treinamento. Em certos momentos, divergências sobre a guerra civil na Síria abalaram essa relação. Ainda assim, o vínculo estratégico se manteve, sobretudo após escaladas recentes em Gaza.

Esses grupos funcionam como parte de um eixo mais amplo, conhecido por alguns analistas como "Eixo da Resistência". Esse eixo inclui ainda milícias iraquianas e rebeldes houthis no Iêmen. Todos recebem diferentes níveis de suporte do Irã. Assim, a rivalidade Irã-Israel espalha-se por vários territórios e não se limita às fronteiras formais.

Programa nuclear, ataques cibernéticos e a "guerra nas sombras"

Assim, o programa nuclear iraniano tornou-se ponto central na disputa. Teerã afirma buscar energia e pesquisa. Já Israel e aliados temem a produção de armas nucleares. Essa divergência gerou sanções, negociações e crises sucessivas. Em 2015, o Irã assinou o acordo nuclear com potências globais. No entanto, a retirada dos Estados Unidos em 2018 enfraqueceu o pacto e reacendeu suspeitas.

Nesse contexto, Israel passou a adotar estratégias discretas de pressão. Relatórios indicam operações clandestinas contra instalações nucleares iranianas. O episódio mais conhecido envolve o ataque cibernético com o malware Stuxnet, revelado em 2010. O vírus danificou centrífugas em Natanz e atrasou o programa. Embora nenhum país tenha assumido responsabilidade direta, analistas apontam cooperação entre Israel e Estados Unidos.

Além de ataques digitais, ocorreram explosões misteriosas em bases e laboratórios. Assassinatos de cientistas iranianos também entraram no noticiário internacional. Em resposta, o Irã fortaleceu medidas de contrainteligência e ampliou suas capacidades cibernéticas. Assim, a disputa nuclear e tecnológica migrou para um cenário de "guerra nas sombras", com operações encobertas, desinformação e pressão diplomática constante.

Como se apresenta o mapa atual da disputa regional entre Irã e Israel?

Hoje, a rivalidade entre Irã e Israel atravessa vários campos de batalha. No Líbano, o Hezbollah mantém presença armada ao longo da fronteira norte de Israel. Escaramuças frequentes alimentam risco de guerra aberta. Ao mesmo tempo, o grupo participa do governo libanês e influencia decisões estratégicas em Beirute.

Na Síria, o cenário também reflete essa disputa. O Irã apoia o governo de Bashar al-Assad e mantém conselheiros militares no país. Israel, por sua vez, realiza ataques aéreos regulares contra depósitos de armas e comboios ligados ao Irã e ao Hezbollah. Esse padrão cria tensão permanente no espaço aéreo sírio e pressiona outras potências envolvidas, como Rússia.

No Iêmen, os rebeldes houthis recebem suporte iraniano em diferentes níveis. Israel acompanha de perto essa frente, sobretudo após ataques a navios no Mar Vermelho. A rota marítima possui importância vital para comércio e energia. Assim, a presença de grupos aliados ao Irã nessa área reforça a dimensão global da disputa.

As diferenças religiosas também influenciam o quadro. O Irã lidera um bloco de maioria xiita e se coloca como referência para comunidades xiitas na região. Israel, por outro lado, mantém laços com monarquias sunitas preocupadas com a expansão iraniana, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein. A aproximação entre Israel e esses países, inclusive por meio de acordos de normalização, busca conter a projeção de Teerã.

Apesar das trocas de ameaças e da retórica dura, ambos os lados medem riscos de um confronto direto amplo. A presença de armas avançadas, disputas cibernéticas e grupos aliados em vários territórios torna qualquer escalada potencialmente devastadora. Por isso, a relação entre Irã e Israel segue em equilíbrio tenso, com guerras indiretas, diplomacia limitada e impacto profundo no futuro do Oriente Médio.

Irã – depositphotos.com / rarrarorro
Irã – depositphotos.com / rarrarorro
Foto: Giro 10
Giro 10
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