Israel confirma pela primeira vez balanço de 71,5 mil palestinos mortos em Gaza desde o início da guerra
Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, 71,5 mil palestinos morreram na guerra entre Israel e o grupo islâmico, iniciada em 7 de outubro de 2023. Pela primeira vez, esse balanço foi confirmado pelo Exército israelense, revela a imprensa local.
Frédérique Misslin, correspondente da RFI em Jerusalém
O Exército de Israel passou a aceitar o levantamento palestino segundo o qual mais de 70 mil pessoas foram mortas na Faixa de Gaza ao longo de mais de dois anos de conflito. Questionado pela RFI em 29 de janeiro, um responsável militar afirmou que não iria comentar nem desmentir os números, mas acrescentou: "os detalhes publicados não refletem os dados oficiais. Qualquer divulgação sobre esse tema será feita por canais oficiais".
É a primeira vez que Israel reconhece o balanço de cerca de 71,5 mil mortos em Gaza, apresentado pelo Hamas, corroborando assim os dados do Ministério da Saúde do território, que havia sido sistematicamente desacreditado por Israel desde o começo da guerra.
83% de civis entre os mortos
A grande maioria dos palestinos mortos é composta por civis. Uma investigação realizada por vários veículos de imprensa indicava, em agosto, que 83% não eram combatentes.
Militares israelenses afirmam agora que trabalham em uma avaliação sobre a proporção de civis e combatentes entre as vítimas. Segundo o Exército de Israel, citado pela imprensa local, cerca de 25 mil seriam integrantes do Hamas.
As autoridades de Tel Aviv também acrescentam que, até o início de 2024, 13% dos foguetes lançados pelo Hamas falharam, atingindo alvos palestinos e provocando a morte de moradores da própria Faixa de Gaza.
Ainda assim, o balanço permanece incompleto. O total de 71,5 mil não abrange as pessoas que morreram de fome, aquelas cuja saúde se deteriorou em razão da guerra, nem todos os moradores de Gaza desaparecidos, especialmente os que provavelmente continuam sob os escombros.
Esses dados do Ministério da Saúde de Gaza foram considerados confiáveis por diversas organizações internacionais, incluindo a ONU, apesar de, até então, Israel não tê-los reconhecido oficialmente, sem nunca ter apresentado provas que os contradissessem.
Cautela
Em várias ocasiões, as autoridades de Gaza adotaram cautela ao divulgar os números. Em junho de 2024, por exemplo, anunciaram pouco mais de 37 mil mortos, enquanto, no mesmo período, a revista médica The Lancet estimava que não era improvável que o número de mortes em Gaza chegasse a 186 mil, ou até mais.
O Exército de Israel mantém a avaliação de que nenhuma pessoa saudável morreu de fome, enquanto organizações internacionais relatam cerca de 450 mortes provocadas pela falta de alimentação. Em agosto passado, um grupo de especialistas a comando da ONU afirmou, em relatório oficial, que algumas áreas da Faixa de Gaza haviam entrado em estado de fome.