Israel acusa Líbano de não fazer o suficiente para desarmar o Hezbollah
Israel afirmou que os esforços do Líbano para desarmar o Hezbollah estão longe de ser suficientes, depois que o exército libanês declarou ter estabelecido controle operacional no sul do país.
Com isso, o país elevou a pressão sobre os líderes libaneses, que temem que Israel possa intensificar seus ataques.
Em sintonia com as exigências dos EUA, o governo libanês tem procurado restringir a posse de armas ao controle estatal desde que o grupo xiita libanês Hezbollah, apoiado pelo Irã, saiu bastante enfraquecido da guerra com Israel, em 2024.
O exército libanês afirmou nesta quinta-feira que os objetivos da primeira fase de seu plano foram alcançados de forma "eficaz e tangível" e que garantiu a segurança das áreas sob sua autoridade ao sul do rio Litani, com exceção das posições ainda ocupadas pelas forças israelenses.
Após a declaração do exército, o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o Hezbollah deve ser totalmente desarmado, citando um cessar-fogo mediado pelos EUA com o Líbano em novembro de 2024.
Embora os esforços do governo e do exército do Líbano nesse sentido tenham sido "um começo encorajador... eles estão longe de ser suficientes, como evidenciado pelos esforços do Hezbollah para se rearmar e reconstruir sua infraestrutura terrorista com o apoio iraniano".
O desarmamento do Hezbollah era "imperativo para a segurança de Israel e o futuro do Líbano", acrescentou Netanyahu.
ATAQUES NO SUL
Israel tem realizado ataques quase diários no sul do país e, por vezes, de forma mais abrangente no Líbano, acusando o Hezbollah de tentar restabelecer sua infraestrutura. Israel também acusa Beirute de não cumprir o acordo de cessar-fogo de 2024.
Não houve comentários imediatos do Hezbollah, que afirma ter respeitado o cessar-fogo no sul e que o acordo não se aplica ao restante do Líbano.
O exército libanês havia estabelecido um prazo até o final do ano para remover armamentos não estatais do sul do país, antes de prosseguir para outras regiões. Em comunicado, o exército afirmou que ainda há trabalho a ser feito para remover munições não detonadas e túneis.
LÍBANO QUER CONTROLAR DECISÕES
O presidente libanês, Joseph Aoun, afirmou que o destacamento do exército no sul do país visa reafirmar o princípio de que as "decisões de guerra e paz" pertencem exclusivamente ao Estado e "impedir que o território libanês seja usado como ponto de partida para quaisquer atos hostis".
Mas acrescentou que a estabilidade duradoura continua dependendo da resolução de questões-chave, principalmente "a contínua ocupação israelense de partes do território libanês e o estabelecimento de zonas tampão dentro dele".
O Hezbollah travou inúmeros conflitos com Israel desde sua fundação pela Guarda Revolucionária do Irã, em 1982. O grupo manteve seu armamento após o fim da guerra civil libanesa de 1975-1990, utilizando-o contra as tropas israelenses que ocuparam o sul do país até 2000.
As forças armadas libanesas, que recebem apoio dos EUA, têm se mantido fora dos conflitos entre o Hezbollah e Israel.