Irã restabelece internet após quase três meses de corte, mas população ainda teme instabilidade
Três meses após o início da guerra, o governo iraniano reativou o acesso à internet internacional em meio a críticas crescentes contra o desligamento da rede. O restabelecimento da conexão foi ordenado pelo presidente Masoud Pezeshkian.
Siavosh Ghazi, correspondente da RFI em Teerã, com agências
O objetivo do governo é demonstrar que há um retorno à normalidade após 40 dias de guerra e 50 dias de ameaças. Mas também é uma forma de responder às expectativas da população, que criticava cada vez mais o corte da rede. Muitos não puderam trabalhar nos últimos meses devido a essa situação.
"Trabalho em quatro áreas. Três têm a ver com design gráfico, marketing e publicidade, além de eventos culturais, e todas as quatro estão diretamente relacionadas à internet. Eu não podia trabalhar de jeito nenhum. A internet é uma necessidade em nossa época", conta Rana, uma iraniana de cerca de 50 anos.
"Eu me sinto melhor agora, finalmente posso usar meus aplicativos favoritos", disse Hana, uma estudante de Teerã, de 20 anos, que também preferiu não revelar seu sobrenome. Ainda assim, ela admitiu que "lhe preocupa que a guerra possa recomeçar a qualquer momento".
Esse temor é compartilhado por Amir, um profissional de informática de 27 anos, também morador da capital. "Sinto que ainda não há nada seguro, mesmo que o cessar-fogo esteja em vigor e haja notícias de um possível acordo. Todos os dias ainda nos perguntamos: 'haverá ataques com mísseis esta noite?'", comentou.
Serviço mantém restrições
Embora se esperasse um retorno gradual, a rede foi restabelecida rapidamente, em apenas poucas horas, e agora o acesso é quase total. No entanto, a conectividade permanece desigual, com os dados móveis ainda amplamente cortados, muitos sites filtrados e serviços de mensagens de difícil acesso.
A Ong Netblocks, que havia classificado esse corte de 88 dias como o mais longo da história moderna em escala nacional, afirma que "o serviço permanece fortemente filtrado, com novas restrições aos serviços de mensagens e aos portais de aplicativos em comparação com o período anterior a janeiro".
Ainda não se sabe se certos aplicativos, como o Telegram, continuarão bloqueados ou não. Mas o regime agora se sente suficientemente forte para conceder ainda mais liberdade, como se tem visto com o véu, já que não há mais controle e cada vez mais iranianos são vistos se vestindo ao estilo ocidental.
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