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Israel e Irã trocam mais ataques, e presidente do Irã enfrenta críticas internas por pedido de desculpas

7 mar 2026 - 12h47
(atualizado às 16h23)
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Israel e Irã trocaram ataques conforme ‌a guerra no Oriente Médio entrava em sua segunda semana neste sábado, e o presidente iraniano pediu desculpas aos países vizinhos em uma tentativa de acalmar a ira no Golfo, um gesto que, porém, despertou críticas de linha-dura dentro do próprio Irã.

"Pessoalmente, peço desculpas aos países vizinhos que foram afetados pelas ações do Irã", disse o presidente iraniano Masoud Pezeshkian, pedindo que não se juntem aos ataques israelenses e norte-americanos contra o Irã.

Ele rejeitou a exigência do presidente dos EUA, Donald Trump, de que a República Islâmica se renda ⁠incondicionalmente, classificando-a como "um sonho", mas disse que seu conselho de liderança temporária concordou em suspender os ataques aos países vizinhos, a menos que ‌as ofensivas ao Irã partissem de seus territórios.

Mesmo assim, Trump classificou o pedido de desculpas do Irã como uma rendição e disse que o país seria "duramente atingido" no sábado.

Os comentários de Pezeshkian causaram uma agitação política no Irã, levando seu gabinete a reiterar ‌que as forças armadas do Irã responderiam com firmeza aos ataques das bases dos ‌EUA na região.

Horas depois, o presidente repetiu sua declaração nas redes sociais, mas omitiu o pedido de desculpas do discurso, ⁠que havia irritado os linha-dura, incluindo a poderosa Guarda Revolucionária.

Hamid Rasai, um clérigo e parlamentar linha-dura, escreveu no X: "Sr. Pezeshkian, sua postura foi pouco profissional, fraca e inaceitável."

Um ex-comandante da Guarda Revolucionária denunciou a ideia de um pedido de desculpas em uma declaração nas redes sociais.

O chefe do judiciário, Mohseni-Ejei, um membro linha-dura do conselho de três pessoas que detém temporariamente os poderes do líder supremo, afirmou que o território de alguns países da região estava sendo usado, aberta e secretamente, para ataques contra o Irã, e que os ‌ataques retaliatórios continuariam.

Horas após o anúncio de Pezeshkian, os Guardas Revolucionários do Irã disseram que seus drones atingiram um centro de combate aéreo dos ‌EUA na Base Aérea de Al Dhafra, ⁠perto de Abu Dhabi, capital dos ⁠Emirados Árabes Unidos. A Reuters não conseguiu verificar esse relatório de forma independente.

As autoridades de Dubai informaram que um homem asiático morreu na área ⁠de Al Barsha, na zona oeste do país, depois que destroços de uma interceptação ‌aérea caíram sobre um veículo.

ESTADOS DO GOLFO ‌ATINGIDOS POR DRONES E MÍSSEIS

A guerra entre os EUA e Israel contra o Irã já ultrapassou as fronteiras iranianas, pois Teerã respondeu atingindo Israel e os países árabes do Golfo que abrigam instalações militares dos EUA, e Israel lançou novos ataques no Líbano depois que o Hezbollah, aliada do Irã, disparou contra a fronteira.

Os países do Golfo expressaram sua indignação pelo ⁠fato de sua infraestrutura civil -- hotéis, portos e instalações petrolíferas -- ter sido atingida, apesar de não terem participado dos ataques israelenses e norte-americanos.

Os Emirados Árabes Unidos, o Kuweit, o Catar, o Barein, Omã, a Arábia Saudita e o Iraque relataram ataques com drones ou mísseis na última semana.

"Os Emirados Árabes Unidos têm a pele grossa e a carne amarga -- não somos presas fáceis", disse o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed Al Nahyan, na sexta-feira, ao visitar ‌os feridos nos ataques. Os comentários foram transmitidos pela Abu Dhabi TV neste sábado e foram suas primeiras declarações públicas desde os ataques iranianos contra o Golfo.

ISRAEL ADVERTE LÍBANO A CONTROLAR O HEZBOLLAH

Com a expansão do conflito, Israel advertiu o Líbano sobre ⁠um "preço muito alto" a pagar caso não controlasse o Hezbollah, enquanto bombardeava os redutos do grupo com ataques aéreos e realizava um ataque aéreo mortal no leste do país.

Na manhã de sábado, mais prédios nos subúrbios do sul de Beirute, controlados pelo Hezbollah, haviam sido reduzidos a montes de escombros fumegantes, poeira e fios emaranhados, como mostraram vídeos da Reuters.

A aparente estratégia de caos máximo do Irã aumentou os custos do conflito, elevando os preços da energia, prejudicando negócios globais e vínculos logísticos e abalando a confiança na estabilidade de uma região crítica para a economia mundial.

A estatal de petróleo do Kuweit começou a reduzir a produção neste sábado, somando-se aos cortes anteriores na produção de petróleo e gás do Iraque e do Catar.

A guerra abalou os mercados globais e os preços do petróleo atingiram máximas em vários anos, com o Estreito de Ormuz praticamente fechado.

Trump afirmou que a Marinha dos EUA poderia escoltar navios no Golfo. Mas a Guarda Revolucionária do Irã o desafiou a fazê-lo, com o porta-voz Alimohammad Naini declarando que o Irã "acolhe" e "aguarda" qualquer presença dos EUA no estreito, segundo a mídia estatal.

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