Irã nega negociações com os EUA e diz ter "aliviado pressão" no Estreito de Ormuz
O Irã afirmou ter reduzido a pressão sobre o Estreito de Ormuz e autorizado a passagem de "embarcações não hostis", segundo comunicado enviado por Teerã à Organização Marítima Internacional. A flexibilização no controle da estratégica rota marítima teria relação com um plano de 15 pontos proposto pelos Estados Unidos para encerrar o atual conflito, de acordo com meios de comunicação americanos e israelenses.
Segundo essas publicações, a abertura do Estreito é um dos itens do pacote apresentado por Washington à República Islâmica. O plano incluiria ainda um cessar-fogo de um mês e exigências ligadas ao programa nuclear iraniano, bem como à retirada do apoio a aliados regionais de Teerã, como Hezbollah e Hamas. Em contrapartida, o Irã receberia alívio das sanções internacionais e apoio ao seu programa nuclear civil.
O presidente americano, Donald Trump, afirmou na segunda-feira que negociações com o Irã haviam começado. Três fontes ouvidas pelo Canal 12 da televisão israelense confirmaram que autoridades iranianas estariam avaliando a proposta.
A simples notícia de uma possível abertura diplomática provocou reação imediata nos mercados: nesta quarta-feira (25), os preços do petróleo recuam e as bolsas asiáticas e europeias registraram recuperação.
O preço do barril de Brent, referência global, recuava 6,3%, a US$ 97,90, nesta quarta-feira. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, caía 5,2%, para US$ 87,52.
A Agência Internacional de Energia (AIE) afirmou que está "preparada" para liberar novas reservas de petróleo, caso necessário, segundo seu diretor, Fatih Birol, em resposta a um pedido da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi.
Teerã desmente qualquer acordo
Apesar das informações divulgadas pela imprensa dos EUA e de Israel, o governo iraniano nega categoricamente que haja negociações em curso com Washington.
O porta-voz do Comando Central das Forças Armadas do Irã, Ebrahim Zolfaqari, rejeitou publicamente a possibilidade de um entendimento com os americanos. "Jamais chegaremos a um acordo com os Estados Unidos", declarou, contrariando diretamente a versão difundida pelo governo Trump.
Conflito se intensifica no Oriente Médio
Enquanto os rumores diplomáticos circulam, a guerra no Oriente Médio se aprofunda. A Guarda Revolucionária Islâmica anunciou ataques contra o norte e o centro de Israel - incluindo a região de Tel Aviv - e contra bases militares americanas no Kuwait, na Jordânia e no Bahrein.
De acordo com serviços de emergência israelenses, 12 pessoas ficaram feridas na noite de terça-feira (24) nos arredores de Tel Aviv. No Kuwait, um ataque com drone provocou um incêndio em um tanque de combustível no aeroporto internacional, segundo a Autoridade de Aviação Civil, que não registrou vítimas.
Israel bombardeia o Líbano; nove mortos
Israel, por sua vez, manteve as operações aéreas no Líbano e em território iraniano. Nove pessoas morreram em bombardeios israelenses na madrugada de quarta-feira em cidades do sul do Líbano, consideradas redutos do movimento Hezbollah, segundo a mídia estatal libanesa.
As Forças de Defesa de Israel informaram ter "desmantelado centros de comando" do Hezbollah e destruído um depósito de armas, matando combatentes do grupo.
O Hezbollah, por sua vez, afirmou ter atacado um tanque israelense e lançado uma "chuva de foguetes" contra Kiryat Shmona, no norte de Israel, acionando sirenes de alerta. Não houve registro de vítimas.
Nova ofensiva atinge milícias pró-Irã no Iraque
No Iraque, um novo ataque aéreo atingiu uma posição das Forças de Mobilização Popular (Hashd al-Shaabi), coalizão de ex-paramilitares que reúne grupos pró-iranianos.
O ataque ocorreu um dia após um bombardeio que deixou 15 mortos entre membros da milícia.
O conflito, iniciado no fim de fevereiro com uma ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel — que matou o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei —, rapidamente se expandiu pela região, envolvendo também o Iraque e países do Golfo. Em resposta, o Irã tem atacado alvos considerados aliados de Washington.
Mesmo com a possibilidade de negociações, os Estados Unidos avaliam enviar mais 3.000 soldados ao Oriente Médio, indicando que a tensão permanece elevada. Líderes internacionais, como o presidente francês, Emmanuel Macron, pediram que o Irã participe das negociações "de boa-fé".
Com agências