Irã endurece posição em negociações em meio a esforços de mediação, dizem fontes
A postura de negociação do Irã endureceu acentuadamente desde o início da guerra, com a Guarda Revolucionária exercendo crescente influência sobre a tomada de decisões, e o país exigirá concessões significativas dos Estados Unidos caso os esforços de mediação levem a conversas sérias, disseram três fontes de alto escalão em Teerã.
Em qualquer negociação com os EUA, segundo as fontes, o Irã não exigiria apenas o fim da guerra, mas também concessões que provavelmente seriam linhas vermelhas para o presidente norte-americano, Donald Trump: garantias contra futuras ações militares, compensação por perdas sofridas durante a guerra e controle formal do Estreito de Ormuz.
O Irã também se recusaria a negociar quaisquer limitações ao seu programa de mísseis balísticos, disseram elas, uma questão que havia sido uma linha vermelha para Teerã durante as negociações que estavam ocorrendo quando os EUA e Israel lançaram seu ataque, no mês passado.
SINAIS CONTRADITÓRIOS
Trump afirmou na segunda-feira que Washington já havia tido "conversas muito, muito fortes" com Teerã mais de três semanas após o início da guerra, mas o Irã negou publicamente essa afirmação.
As três fontes de alto escalão disseram que o Irã teve apenas discussões preliminares com o Paquistão, a Turquia e o Egito sobre se havia bases para negociações com os Estados Unidos a respeito do fim da guerra.
Um funcionário europeu afirmou na segunda-feira que, embora não tenha havido negociações diretas entre o Irã e os EUA, o Egito, o Paquistão e os países do Golfo Pérsico estavam transmitindo mensagens.
Um funcionário paquistanês e uma segunda fonte também disseram na segunda-feira que conversas diretas sobre o fim da guerra poderiam ser realizadas em Islamabad esta semana.
Caso tais negociações sejam organizadas, o Irã enviará o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, para participar, disseram as três fontes iranianas. Elas alertaram que quaisquer decisões caberiam, em última instância, à linha-dura da Guarda Revolucionária Islâmica.
ISRAEL DUVIDA DA POSSIBILIDADE DE ACORDO
Três altos funcionários israelenses também disseram nesta terça-feira que, embora Trump parecesse determinado a chegar a um acordo, consideravam improvável que Teerã concordasse com as exigências dos EUA. Segundo estes funcionários, as exigências incluiriam o fim dos programas nuclear e de mísseis balísticos do Irã.
O uso de mísseis balísticos pelo Irã e sua capacidade de fechar efetivamente o Estreito de Ormuz, por onde normalmente flui cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, têm sido suas respostas mais eficazes aos ataques dos EUA e de Israel.
Segundo analistas, o país não poderia concordar em abrir mão dessas armas sem se deixar vulnerável a novos ataques.
Os estrategistas iranianos também podem estar relutantes em confiar em acordos com EUA e Israel após terem sido atacados na sequência de um acordo anterior no ano passado, apesar de estarem envolvidos em negociações em curso na época. Eles também observaram Israel continuar a atacar o Líbano e Gaza após o cessar-fogo nessas regiões.
No Irã, preocupações internas também estão limitando a margem de manobra de Teerã nas negociações, disseram fontes iranianas de alto escalão.
Essas preocupações incluíam a maior influência da Guarda Revolucionária, a incerteza no topo do sistema, visto que o novo Líder Supremo, Mojtaba Khamenei, ainda não havia aparecido em fotografias ou vídeos desde sua nomeação, e uma narrativa pública de resiliência na guerra.