Irã critica Macron, que pede 'moratória' contra ataques a estruturas energéticas civis
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, criticou nesta quinta-feira (19) a reação do presidente francês Emmanuel Macron, que denunciou uma "escalada irresponsável" no Oriente Médio. O Irã atacou, da noite de quarta-feira (18) para quinta-feira (19), o complexo de gás Ras Laffan, no Catar, o maior do mundo. Nesta quinta, o país também atingiu refinarias na Arábia Saudita e no Kuwait.
Macron pediu uma "moratória" nos bombardeios contra "infraestruturas civis" após as ofensivas iranianas no Catar, que foram uma resposta a um ataque israelense contra o campo de gás de South Pars. O presidente francês disse ter conversado com líderes do Catar e dos Estados Unidos após ataques que atingiram "locais de produção de gás no Irã e no Catar". Na manhã desta quinta-feira, em Bruxelas, antes de uma cúpula europeia, Macron voltou a denunciar uma "escalada irresponsável" no Oriente Médio.
"Vários países do Golfo foram atingidos pela primeira vez em suas capacidades de produção, da mesma forma que o Irã havia sido atingido", afirmou, defendendo discussões "diretas" entre americanos e iranianos sobre o tema.
Araghchi afirmou que o presidente francês ignorou ataques anteriores conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã. Segundo ele, Macron "não pronunciou uma única palavra de condenação à guerra conduzida por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irã" e tampouco denunciou os ataques a depósitos de combustível em Teerã em 7 de março.
"A expressão de sua 'preocupação' não veio após o ataque de Israel às nossas instalações de gás. Ela veio após nossas represálias. Triste!", afirmou. "O inimigo deve ser alertado de que comete um grave erro ao atacar a infraestrutura energética da República Islâmica do Irã", declarou o centro de comando conjunto iraniano, Khatam Al-Anbiya, citado pela agência Fars.
"Se isso se repetir, as represálias contra suas infraestruturas energéticas e as de seus aliados continuarão até sua destruição", acrescentou o comando, afirmando que a "resposta será muito mais violenta" do que a registrada na noite anterior contra alvos no Golfo.
Parlamentares iranianos propõem criar taxas de passagem para navios no Estreito de Ormuz, segundo a imprensa iraniana. "No Parlamento, trabalhamos em um plano segundo o qual os países deverão pagar tarifas e impostos à República Islâmica caso usem o estreito de Ormuz como rota segura para transporte de energia e mercadorias", declarou a deputada de Teerã Somayeh Rafiei, citada pela agência oficial Isna
Fim da guerra não tem prazo, diz Pentágono
O ministro da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, declarou nesta quinta que o país não tem "calendário definido" nem "prazo estabelecido" para o fim das operações militares americanas no Irã, iniciadas em 28 de fevereiro.
"Não queremos fixar um calendário preciso", afirmou durante uma coletiva de imprensa, acrescentando que a operação está "totalmente dentro do previsto" para cumprir os objetivos estabelecidos pelo presidente Donald Trump.
Cabe a Trump, disse ele, "decidir, em última análise, em que momento diremos: 'Bem, alcançamos nossos objetivos'". "Portanto, não há prazo definido", reiterou. Para sustentar a guerra, o Pentágono solicitará ao Congresso americano recursos adicionais, confirmou Hegseth. O jornal Washington Post havia informado mais cedo que o Pentágono pretende pedir, por meio da Casa Branca, mais de US$ 200 bilhões ao Congresso para financiar a guerra no Irã.
Questionado sobre o valor, o ministro da Defesa afirmou que ele "pode evoluir", mas acrescentou que "é evidente que são necessários recursos para neutralizar os inimigos". "Vamos voltar ao Congresso para garantir que teremos os fundos necessários para o que já foi feito, para o que talvez precisemos fazer no futuro e para assegurar que nossos estoques de munição não apenas sejam reabastecidos, mas superem amplamente nossas necessidades."
Com agências