Irã contesta 'mentiras' de Trump sobre mísseis capazes de atingir EUA e 'ambições nucleares sombrias'
O Irã rejeitou nesta quarta‑feira (25) as "grandes mentiras" atribuídas aos Estados Unidos, após Donald Trump acusar Teerã de desenvolver mísseis capazes de atingir em breve o território norte‑americano e de manter "ambições nucleares sombrias". Os Estados Unidos, que intensificaram as ameaças de ataque diante da possibilidade de fracasso da via diplomática nas negociações de um acordo com as autoridades iranianas, mobilizaram um amplo dispositivo militar na região do Golfo.
"Tudo o que eles afirmam sobre o programa nuclear iraniano, os mísseis balísticos do Irã e o número de vítimas durante os distúrbios de janeiro não passa da repetição de grandes mentiras", declarou na rede X o porta-voz do ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghai.
Horas antes, Trump havia afirmado, em seu discurso sobre o Estado da União diante do Congresso, em Washington, que o Irã já havia "desenvolvido mísseis que podem ameaçar a Europa e nossas bases" militares e trabalhava na concepção de mísseis "que em breve poderão alcançar os Estados Unidos".
"Oportunidade histórica"
"Eles (...) continuam atualmente suas sombrias ambições nucleares", acrescentou o presidente americano, que tenta obter um acordo que garanta, em especial, que o Irã não adquira a bomba atômica.
"Minha preferência é por uma resolução desse problema por meio da diplomacia, mas uma coisa é certa: nunca permitirei que o principal patrocinador mundial do terrorismo (...) adquira uma arma nuclear", prosseguiu. "Eles querem fechar um acordo, mas ainda não ouvimos estas palavras-chave: 'Nunca teremos a arma nuclear'", insistiu.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, havia afirmado anteriormente que seu país estava "determinado a alcançar um acordo justo e equilibrado, o mais rapidamente possível". Ele mencionou uma "oportunidade histórica de concluir um acordo sem precedentes que leve em conta" os interesses mútuos. "Um acordo está ao alcance, mas somente se a diplomacia for priorizada", acrescentou.
Manifestações estudantis
Teerã nega ambições nucleares militares, mas insiste em seu direito ao uso civil da energia nuclear, conforme o Tratado de Não Proliferação (TNP), do qual é signatário.
Irã e Estados Unidos, que retomaram o diálogo em 6 de fevereiro, realizaram cinco rodadas de negociações nucleares no ano passado, interrompidas abruptamente pela guerra de 12 dias desencadeada em junho por um ataque israelense, durante a qual Washington bombardeou instalações nucleares iranianas.
O presidente americano também afirmou que as autoridades iranianas mataram 32 mil pessoas na repressão a uma onda inédita de protestos que atingiu o auge nos dias 8 e 9 de janeiro.
O governo teocrático iraniano reconhece mais de 3 mil mortos nessas manifestações, mas atribui a violência a "atos terroristas" orquestrados pelos Estados Unidos e por Israel.
A organização Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos Estados Unidos, contabilizou mais de 7 mil mortos, em sua maioria manifestantes, destacando que o número real provavelmente é muito maior.
A porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani, reconheceu na terça-feira que eles têm "o direito de se manifestar", mas os advertiu para não ultrapassar "linhas vermelhas".
Vídeos divulgados nas redes sociais e autenticados pela AFP mostraram estudantes queimando a bandeira da República Islâmica e gritando, entre outros slogans, "Morte ao ditador", em referência ao líder supremo, Ali Khamenei.
Segundo um morador de Teerã, entrevistado por um jornalista da AFP baseado no exterior, os protestos se limitam às grandes universidades.
Com AFP