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Irã considera 'provável' retomada da guerra com os Estados Unidos

Um responsável militar iraniano considerou neste sábado (2) "provável" uma retomada da guerra com os Estados Unidos, após a rejeição por Donald Trump de uma nova oferta de Teerã para relançar as negociações de paz.

2 mai 2026 - 07h45
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"Uma retomada do conflito entre o Irã e os Estados Unidos é provável, e os fatos demonstraram que os Estados Unidos não respeitam nenhuma promessa ou acordo", reagiu neste sábado Mohammad Jafar Asadi, inspetor-adjunto do comando das Forças Armadas Khatam Al Anbiya, citado pela agência de notícias Fars.

"As Forças Armadas estão perfeitamente preparadas para qualquer nova tentativa de aventureirismo ou qualquer ação imprudente por parte dos americanos", acrescentou.

O Irã transmitiu nesta semana uma nova proposta de acordo de paz com os Estados Unidos por meio do Paquistão, mediador das negociações. Nenhum detalhe do texto foi divulgado, mas Donald Trump disse na sexta-feira não estar "satisfeito" com essa última versão. Em sua opinião, os dirigentes iranianos estão "desunidos" e incapazes de chegar a um acordo sobre uma estratégia de saída do conflito.

O presidente americano, que já havia ameaçado aniquilar a "civilização" iraniana, reiterou que prefere não ter de "pulverizar de uma vez por todas" o Irã. No entanto, indicou que uma retomada da guerra continua sendo "uma opção".

Conflito "encerrado"

Ao mesmo tempo, em carta enviada ao Congresso americano nesta sexta-feira, Trump declarou que as hostilidades no Irã terminaram. Ele enviou a mensagem no último dia do prazo previsto para solicitar autorização para prosseguir com a guerra, após 60 dias do início do conflito. O republicano alegou que não houve troca de tiros desde a entrada em vigor da trégua em 7 de abril.

Mas vários parlamentares democratas destacaram que a presença contínua de forças americanas na região indica o contrário. O USS Gerald Ford, o maior porta-aviões do mundo, deixou o Oriente Médio, mas 20 embarcações da Marinha americana, incluindo outros dois porta-aviões, permanecem mobilizadas.

Embora os bombardeios tenham cessado, o conflito prossegue sob outras formas. Washington impõe um bloqueio aos portos iranianos em retaliação ao fechamento, por Teerã, do Estreito de Ormuz, por onde transita normalmente um quinto dos hidrocarbonetos consumidos no mundo.

Um cessar-fogo entrou em vigor em 7 de abril, após quase 40 dias de ataques israelenses e americanos contra o Irã e de represálias de Teerã na região.

Uma primeira rodada de negociações diretas em Islamabad, em 11 de abril, revelou-se infrutífera e, até agora, sem desdobramentos, uma vez que as divergências permanecem fortes entre os dois lados, do Estreito de Ormuz à questão nuclear.

A guerra deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, e seus impactos continuam a abalar a economia mundial, com os preços do petróleo tendo atingido nesta semana níveis inéditos desde 2022.

Retirada de militares da Alemanha

Os Estados Unidos vão retirar cerca de 5.000 militares da Alemanha dentro de um ano. A decisão foi anunciada pelo Pentágono após Donald Trump ter expressado sua irritação com o chanceler alemão a respeito da guerra no Irã. Friedrich Merz afirmou que os americanos não tinham "nenhuma estratégia" no Irã e que Teerã "humilhava" a principal potência mundial.

Atualmente, mais de 36.000 soldados americanos estão posicionados na Alemanha. O ministro alemão da Defesa disse neste sábado que a retirada parcial das tropas americanas do país era esperada.

Trump, que critica os aliados europeus pela falta de apoio à ofensiva lançada no fim de fevereiro contra a República Islâmica, ameaça retirar forças militares americanas também da Espanha e da Itália.

Ao mesmo tempo, o presidente americano promete relançar a guerra comercial contra a Europa. Ele anunciou na sexta-feira que pretende elevar para 25% "na próxima semana" as tarifas alfandegárias sobre os veículos importados para os Estados Unidos da União Europeia. Trump acusa o bloco europeu de não respeitar o acordo comercial firmado no verão passado.

Novas execuções

Enquanto isso, o Irã permanece inflexível. "Certamente não aceitaremos que nos imponham" uma política, declarou na sexta-feira o chefe do Poder Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei.

Negar Mortazavi, do centro de estudos Center for International Policy, destaca a "coesão" do poder iraniano, unido em uma "batalha existencial".

Com a trégua, os iranianos puderam retomar certa normalidade, mas o cotidiano segue afetado pela inflação em alta e pelo aumento do desemprego, em um país já enfraquecido por décadas de sanções internacionais.

Em mensagem escrita, o guia supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, exortou as empresas que sofreram danos a "evitar ao máximo as demissões", em nome da "guerra econômica e cultural" travada pelo Irã.

Amir, de 40 anos, conta que começa o dia "olhando as notícias e as novas execuções" realizadas pelo poder iraniano. A Justiça anunciou neste sábado o enforcamento de dois homens acusados de espionagem em favor de Israel.

"Sinto que estou preso no purgatório", disse ele à AFP. "Os Estados Unidos e Israel acabarão nos atacando novamente", enquanto "o mundo fecha os olhos", denunciou.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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