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Irã afirma que acordos em negociações com EUA podem envolver energia, mineração e aeronaves

15 fev 2026 - 16h02
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O Irã está buscando um acordo nuclear com os EUA que traga benefícios econômicos ‌para ambos os lados, segundo declarações de um diplomata iraniano neste domingo, poucos dias antes da segunda rodada de negociações entre Teerã e Washington.

Irã e EUA retomaram negociações no início deste mês para resolver a disputa de décadas sobre o programa nuclear de Teerã e evitar um novo confronto militar. Os EUA enviaram um segundo porta-aviões para a região e estão se preparando para a possibilidade de uma campanha militar prolongada caso as ⁠negociações não sejam bem-sucedidas, informaram autoridades americanas à Reuters.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, falando a jornalistas ‌em Bratislava, disse que o presidente dos EUA, Donald Trump, deixou claro que prefere a diplomacia e um acordo negociado, mas também que isso pode não acontecer.

"Ninguém jamais conseguiu fechar um acordo bem-sucedido com o Irã, mas ‌vamos tentar", disse Rubio.

O Irã ameaçou atacar bases norte-americanas no Oriente ‌Médio se for atacado pelas forças dos EUA, mas no domingo adotou uma linha conciliatória.

"Para garantir a ⁠durabilidade de um acordo, é essencial que os EUA também se beneficiem em áreas com retornos econômicos elevados e rápidos", disse o vice-diretor de diplomacia econômica do Ministério das Relações Exteriores, Hamid Ghanbari, de acordo com a agência de notícias semioficial Fars.

"Interesses comuns nos campos de petróleo e gás, campos conjuntos, investimentos em mineração e até mesmo compras de aeronaves estão incluídos nas negociações", disse Ghanbari, argumentando que o pacto nuclear de 2015 com ‌as potências mundiais não garantiu os interesses econômicos dos EUA.

Em 2018, Trump retirou os EUA do pacto que havia ‌amenizado as sanções contra o Irã em ⁠troca de restrições ao seu ⁠programa nuclear e voltou a aplicar sanções econômicas severas a Teerã.

Na sexta-feira, uma fonte disse à Reuters que uma delegação ⁠dos EUA, incluindo os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner, se ‌reunirá com autoridades iranianas em Genebra ‌na terça-feira, reunião posteriormente confirmada à Reuters por uma alta autoridade iraniana no domingo.

"Steve Witkoff e Jared Kushner estarão viajando, acho que estão viajando agora, para ter reuniões importantes e veremos como isso vai acabar", disse Rubio, sem fornecer mais detalhes.

Enquanto as negociações que levaram ao pacto nuclear de 2015 foram ⁠multilaterais, as negociações atuais estão restritas ao Irã e aos Estados Unidos, com Omã atuando como mediador.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, deixou Teerã rumo a Genebra para participar das negociações nucleares indiretas com os EUA e se reunir com o chefe da agência nuclear da ONU, a AIEA, entre outros, informou seu ministério.

ABERTO A COMPROMISSOS

O vice-ministro das Relações Exteriores, Majid Takht-Ravanchi, ‌sinalizou a disposição do Irã de fazer concessões em seu programa nuclear em troca do alívio das sanções, dizendo à BBC no domingo que a bola estava "no campo dos Estados Unidos para provar que eles querem ⁠fazer um acordo".

O autoridade de alto escalão referiu-se à declaração do chefe atômico iraniano na segunda-feira de que o país poderia concordar em diluir seu urânio mais altamente enriquecido em troca do levantamento das sanções como um exemplo da flexibilidade do Irã.

No entanto, ele reiterou que Teerã não aceitará o enriquecimento zero de urânio, um ponto-chave nas negociações anteriores, com Washington considerando o enriquecimento dentro do Irã como um caminho potencial para armas nucleares. O Irã nega estar buscando tais armas.

Em junho, os EUA se juntaram a Israel em uma série de ataques aéreos que tiveram como alvo instalações nucleares iranianas.

Os EUA também estão aumentando a pressão econômica sobre o Irã. Em uma reunião na Casa Branca no início desta semana, Trump e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu concordaram que os EUA trabalhariam para reduzir as exportações de petróleo do Irã para a China, informou a Axios no sábado.

A China é responsável por mais de 80% das exportações de petróleo do Irã, portanto, qualquer redução nesse comércio reduziria significativamente a receita do Irã com o petróleo.

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