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Interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz começa a afetar colheitas, diz agência da ONU

15 out 2026 - 11h55
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Resumo
A interrupção do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz já afeta a agricultura global ao encarecer combustíveis e restringir fertilizantes. Segundo a ONU, a incerteza reduz a produtividade rural e eleva a inflação alimentar, agravada por fatores climáticos e geopolíticos. Com a alta de 13% nas commodities no terceiro trimestre, a falta de um acordo rápido entre EUA e Irã ameaça a segurança alimentar na Ásia e na África, forçando agricultores a abandonarem culturas de maior valor.

O impacto da interrupção do ‌tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz já está se tornando visível nas colheitas agrícolas, ameaçando reduzir a produtividade das propriedades rurais e elevar os preços dos alimentos, afirmou nesta quinta-feira o presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, Álvaro Lario.

"O ⁠impacto do bloqueio inicial do Estreito de Ormuz... já está começando ‌a ser percebido", disse à Reuters Lario. A agência é ligada à ONU.

As interrupções relacionadas ao Estreito de Ormuz ‌nos embarques de fertilizantes e os custos ‌mais altos de combustível e transporte, agravados pelo El ⁠Niño e pelas interrupções no abastecimento de trigo do Mar Negro, estão aumentando os custos em toda a cadeia de abastecimento alimentar, acrescentou Lario.

O Irã tem buscado reforçar seu controle sobre o Estreito de Ormuz, utilizando esse ponto estratégico para pressionar ‌Washington, que, por sua vez, vem mantendo seu próprio bloqueio naval ‌aos portos iranianos.

Os estoques ⁠existentes de ⁠fertilizantes e combustível inicialmente amorteceram o choque, mas a incerteza prolongada levou ⁠a um plantio mais cauteloso ‌e à redução do ‌uso de fertilizantes, disse Lario. Segundo ele, os custos mais altos do combustível também estão afetando a colheita mecanizada.

Os preços das commodities agrícolas subiram 13% no terceiro trimestre, com ⁠novos aumentos previstos para o quarto trimestre deste ano e o primeiro trimestre do próximo ano, disse o presidente da agência.

Países que dependem de importações de fertilizantes, combustível e alimentos estão particularmente vulneráveis, conforme Lario, ‌que também destacou a dependência de combustível do Sudeste Asiático, bem como a dependência da região do Golfo Pérsico em ⁠relação às importações de alimentos.

A falta de um acordo entre os Estados Unidos e o Irã, dentro de algumas semanas, sobre um plano apoiado pela ONU para o transporte de fertilizantes pelo Estreito de Ormuz poderia causar uma crise de segurança alimentar em partes da Ásia e da África, disse na quarta-feira à Reuters uma autoridade responsável pelo esquema proposto.

A incerteza atual poderia levar os pequenos agricultores a abandonar culturas de maior valor, que levam mais tempo para gerar renda, e a optar por culturas que proporcionam um fluxo de caixa mais rápido, disse Lario.

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