Imprensa estatal russa retira alertas sobre "reagrupamento" de tropas no sul da Ucrânia
Duas agências de notícias estatais russas publicaram alertas nesta segunda-feira dizendo que Moscou estava movendo tropas para "posições mais favoráveis" a leste do rio Dnipro, na Ucrânia, apenas para retirar a informação minutos depois.
O incidente altamente incomum sugeriu uma desordem entre o Exército russo e a imprensa estatal sobre como relatar a situação do campo de batalha no sul da Ucrânia.
A agência de notícias RBC citou o Ministério da Defesa como tendo dito: "O envio de uma reportagem falsa sobre o 'reagrupamento' de tropas na região de Dnepr (Dnipro), supostamente em nome do centro de imprensa do Ministério da Defesa da Rússia, é uma provocação".
O Kremlin se recusou a comentar, dizendo que é um assunto para os militares.
Na semana passada, em uma declaração que a Reuters não pôde verificar de forma independente, os militares russos disseram que haviam frustrado uma tentativa ucraniana de criar uma cabeça de ponte na margem oriental do rio Dnipro e nas ilhas próximas.
Há um ano, a Rússia se retirou das áreas que havia tomado na margem ocidental do Dnipro, incluindo a capital regional Kherson. Se as forças ucranianas conseguissem atravessar o rio e estabelecer uma cabeça de ponte segura, isso representaria um grande avanço.
Em uma série de três alertas nesta segunda-feira, a agência de notícias estatal RIA disse que o comando do grupo de forças Dnepr da Rússia havia decidido realocar as tropas para "posições mais favoráveis" a leste do Dnipro.
A agência disse que, após o reagrupamento, a força Dnepr liberaria algumas tropas para serem mobilizadas em ofensivas em outras frentes.
A RIA disse que o comando militar russo havia concordado com as conclusões da liderança do grupo e ordenou o início da realocação das tropas.
Minutos depois, a RIA retirou os três alertas sem explicação.
Outra agência estatal, a Tass, publicou apenas um alerta sobre o reagrupamento de tropas em posições mais favoráveis e depois o retirou, dizendo que havia sido divulgado por engano. A agência pediu desculpas aos seus leitores.
No passado, a Rússia já usou frases semelhantes sobre o deslocamento de tropas para posições mais vantajosas para descrever retiradas.