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'Império esquecido': a época em que a Rússia colonizou a Califórnia

Na primeira metade do século 19, parte do condado de Sonoma, na Califórnia, foi administrada pelo império russo por cerca de 30 anos. Este episódio histórico exerceu grande (e pouco conhecida) influência na formação dos Estados Unidos.

6 set 2026 - 17h52
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Resumo
Entre 1812 e 1842, a Rússia estabeleceu o Forte Ross na Califórnia para abastecer suas colônias no Alasca. O posto tornou-se um polo pluralista, tolerante e pioneiro na indústria naval e na viticultura regional. A expansão russa pressionou a Espanha a ocupar o território e inspirou a Doutrina Monroe dos EUA. Sem cumprir suas metas agrícolas e comerciais, o forte foi vendido em 1841, deixando um legado histórico relevante, embora pouco conhecido, preservado hoje em um parque estadual.
Selo postal russo comemorativo do bicentenário do Forte Ross, em 2012
Selo postal russo comemorativo do bicentenário do Forte Ross, em 2012
Foto: A Polotnova & Serenity Strull / BBC News Brasil

É uma bela viagem de duas horas rumo ao norte, partindo de São Francisco, no Estado americano da Califórnia, até o Крѣпость Россъ.

Depois de atravessar a neblina na Golden Gate, passo pelos vinhedos queimados pelo sol até o distante litoral de Sonoma, onde abro as janelas do carro.

À minha esquerda, a Califórnia mergulha no oceano Pacífico e as focas fazem barulho nas rochas que se erguem das águas cobertas pela espuma. E, à minha direita, os penhascos quase atingem o céu e imensas sequoias brotam à beira das curvas da estrada.

De repente, uma capela isolada com duas cúpulas e cruzes ortodoxas surge contra o oceano azul.

Saio do carro e sigo uma trilha a pé, até encontrar uma placa em alfabeto cirílico, em frente a uma estrutura com a aparência de um forte de madeira, construída a 46 metros de altura, em uma falésia em frente ao mar.

"Bem-vindo ao Forte Ross (Крѣпость Россъ), o extremo sul do império russo", saúda o arqueólogo Chris Kimsey, da California State Parks, o Departamento de Parques e Recreação do Estado.

A Rússia reivindicou por 30 anos um um trecho deslumbrante do litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
A Rússia reivindicou por 30 anos um um trecho deslumbrante do litoral da Califórnia, nos Estados Unidos
Foto: Alamy / BBC News Brasil

Todos os anos, milhões de turistas viajam pelas curvas da Pacific Coast Highway, uma das mais deslumbrantes rodovias dos Estados Unidos, que percorre todo o litoral da Califórnia.

Mas poucos destes visitantes provavelmente percebem que, escondido nesta região, um pedaço de terra isolado a 145 km ao norte de São Francisco abriga uma relíquia do tempo em que a Califórnia era administrada pela Rússia czarista.

Eu mesmo não sabia e, a julgar pela misteriosa ausência de pessoas em Fort Ross, parece que não sou o único.

"A maioria dos californianos não sabe que a Rússia, um dia, teve uma colônia na Califórnia", conta o antropólogo Kent Lightfoot, da Universidade da Califórnia em Berkeley.

"Todos eles conhecem sobre os espanhóis e os mexicanos, mas quase ninguém sabe nada sobre os russos que estiveram aqui. É uma espécie de império esquecido."

Alguns americanos talvez se lembrem de que o maior Estado americano, o Alasca, fez parte da Rússia por cerca de 70 anos. Mas a única colônia permanente do império russo no exterior, conhecida como América Russa, se estendeu pela Califórnia entre 1812 e 1842.

Na verdade, os russos se estabeleceram em território californiano décadas antes dos americanos que conquistaram sua independência em 1776.

Inovador e surpreendentemente cosmopolita, o Forte Ross (abreviação de "Rossiya", que significa "Rússia") pretendia ser um celeiro dos assentamentos russos no Alasca, que vinham enfrentando dificuldades. Mas ele acabou dando origem a ambiciosos projetos e ardentes debates sobre a expansão russa pela América do Norte.

Os russos se estabeleceram na Califórnia décadas antes dos próprios americanos, que haviam conquistado sua independência em 1776
Os russos se estabeleceram na Califórnia décadas antes dos próprios americanos, que haviam conquistado sua independência em 1776
Foto: Alamy / BBC News Brasil

Os primórdios da América Russa

Enquanto as potências europeias se expandiam para o oeste, nos séculos 16 e 17, a Rússia se expandia para o leste.

Na década de 1640, mercenários e comerciantes de peles da Rússia haviam atravessado a Sibéria até chegarem ao litoral do Pacífico. Esta corrida gerou assentamentos russos permanentes nas ilhas e no litoral do Alasca.

Em 1799, o czar Paulo 1° (1754-1801) formalizou a reivindicação do Alasca pelo império russo, fundando a Companhia Russo-Americana.

Criada seguindo os moldes da Companhia Britânica das Índias Orientais, a nova empresa tinha fins lucrativos e controlava não apenas o comércio de peles. Agora, ela administrava todo o Alasca, como colônia incorporada pela Rússia.

Mas havia um problema. Enquanto a companhia ganhava dinheiro com a pele de lontra, seus colonos passavam fome porque não conseguiam cultivar em grande parte do terreno gelado do Alasca.

Por isso, os colonizadores russos saíram rumo ao sul, em busca de um clima mais quente e de parceiros comerciais espanhóis.

O sonho da Califórnia

Em abril de 1806, com sua colônia ameaçada pela fome e sua tripulação dizimada pelo escorbuto, o diretor da Companhia Russo-Americana, Nikolai Rezanov (1764-1807), entrou com seu navio Juno na baía de São Francisco.

Enquanto a embarcação navegava hesitante rumo ao assentamento espanhol localizado mais ao norte da Califórnia, um soldado da Espanha pegou um megafone e exigiu que o estranho navio se identificasse.

"Rússia", respondeu uma vez. Os espanhóis esperavam esta resposta há cerca de 40 anos.

A Espanha começou a reivindicar toda a Califórnia em 1542, mas só começou a ocupar o território em 1769, quando tomou conhecimento de que comerciantes de pele russos estavam se movendo rapidamente para leste, pelas ilhas do Alasca.

Para evitar os avanços russos e britânicos, a Espanha criou ao longo do litoral californiano uma rede de postos militares avançados, conhecidos em espanhol como presidios, a partir de San Diego.

"A expansão de toda a Alta Califórnia, de certa forma, foi estimulada pelos russos", explica Lightfoot.

"Os espanhóis estavam preocupados com os russos, que avançavam para o sul. Por isso, a fundação de San Diego, Santa Bárbara, Monterrey e São Francisco foi uma resposta à presença dos russos no Alasca."

Fort Ross oferece uma sensação de solidão surreal
Fort Ross oferece uma sensação de solidão surreal
Foto: Alamy / BBC News Brasil

Durante as seis semanas de estada de Rezanov em São Francisco, o estadista, então com 42 anos, garantiu alimentos suficientes dos espanhóis para salvar os colonos do Alasca da fome. Para isso, ele ficou noivo da filha do comandante espanhol de São Francisco, que tinha 15 anos de idade.

O rápido romance entre Rezanov e a adolescente espanhola em São Francisco inspirou uma das mais famosas óperas-rock da era soviética, chamada Juno e Avos.

Enquanto zarpava pelo estreito rumo ao oceano, Rezanov percebeu que todo o litoral norte da Califórnia estava indefeso — e era muito mais ensolarado que a Sibéria e o Alasca. Por isso, ele elaborou um plano para estender a América Russa para a Califórnia.

Em 1812, após anos de investigações secretas no litoral, 25 russos e 80 caçadores nativos do Alasca se estabeleceram em um platô com vista para o Pacífico, onde hoje fica a acidentada costa do condado de Sonoma, na Califórnia.

Aqui, perto do mar rico em lontras da região, mas suficientemente longe da fronteira norte do Império Espanhol, escassamente vigiada, eles viveram em um assentamento projetado em estilo siberiano, construído com sequoias californianas, sob o brasão com a águia de duas cabeças do czar.

Explorando a Califórnia russa

Atualmente, a colônia russa distante na Califórnia permanece um lugar solitário e surreal.

Localizados a 19 km da cidade ou serviço de telefone celular mais próximo, os restos de madeira do assentamento, desgastados pelo tempo, se abrem em uma visão do mar em 180 graus.

O Parque Histórico Estadual do Forte Ross tem quase 1,4 mil hectares. No passado, aquele local fervilhava de atividade. Mas, nos dois dias que passei ali, contei apenas 14 visitantes além de mim.

Exceto pelo som ocasional do carrilhão da capela de são Nicolau, o único ruído que quebrava o silêncio era o das ondas que atingiam a falésia.

"Existe uma sensação mágica em Fort Ross", segundo Robin Joy Wellman. Ela trabalhou como intérprete na California State Parks por cerca de 30 anos.

"É um local misterioso, mas, quando as pessoas o descobrem, elas contam que é um dos lugares mais bonitos que já visitaram."

A capela de são Nicolau é uma das construções ortodoxas mais antigas do Hemisfério Ocidental
A capela de são Nicolau é uma das construções ortodoxas mais antigas do Hemisfério Ocidental
Foto: Eliot Stein / BBC News Brasil

O cenário espetacular da região se estende pela falha de San Andreas. E o mesmo terremoto que arrasou São Francisco em 1906 também derrubou grande parte do forte original.

Mas o posto avançado parcialmente reconstruído em detalhes mostra um quadro nítido de como era a vida na fronteira russa no Oeste selvagem.

O centro da colônia era a cerca feita de estacas, que oferecia a aparência de um forte. Nele, soldados russos de alto escalão, autoridades e funcionários da companhia viviam em casernas cercadas por uma paliçada de 3,6 metros de altura.

Subi com Kimsey os degraus de duas casas de troncos armadas com canhões suficientes para proteger a costa.

Ele explicou que os russos escolheram este mirante natural para se defender dos ataques espanhóis. Mas, na verdade, os dois impérios nunca chegaram a se enfrentar e até dependiam um do outro para sobreviver.

O armazém da Companhia Russo-Americana no Forte Ross (à direita, na imagem), com dois andares, servia também para a venda de produtos. À esquerda, encontram-se residências de colonos. O forte chegou a abrigar no seu auge cerca de 60 construções.
O armazém da Companhia Russo-Americana no Forte Ross (à direita, na imagem), com dois andares, servia também para a venda de produtos. À esquerda, encontram-se residências de colonos. O forte chegou a abrigar no seu auge cerca de 60 construções.
Foto: Alamy / BBC News Brasil

"Os russos e os espanhóis estavam no limite extremo dos seus extensos impérios", destaca Kimsey. "Ambos precisavam de produtos que o outro lado poderia fornecer e, por isso, surgiu o comércio ilícito."

No armazém do forte, peles de lontras valendo US$ 100 cada (o salário de um ano de um fazendeiro da Pensilvânia, na época) teriam ficado penduradas nas vigas para secar. Seus destinos eram a China, a Europa e a Califórnia espanhola.

Sob a cúpula de uma das igrejas ortodoxas mais antigas do Hemisfério Ocidental, o pequeno assentamento cresceu até se tornar uma colônia cosmopolita completa, com padarias, banyas (saunas típicas da Rússia) e cerca de 60 construções.

"Era uma aldeia mercantil pluralista e vibrante, onde se falava muitos idiomas e com pessoas de diferentes nações vivendo juntas", conta Lightfoot.

"A paliçada era apenas a ponta do iceberg. A ação real acontecia no lado de fora."

Além do forte

Enquanto Kimsey e eu saímos do forte, ele explica que a colônia se expandiu e chegou a congregar cerca de 400 pessoas nos anos 1830.

Ela se tornou um dos locais mais diversificados da Califórnia. E praticamente todos os seus moradores trabalhavam para a Companhia Russo-Americana.

Aqui, quando a sloboda (aldeia) era ativa à beira do cabo, caçadores remunerados das Aleútas e de Kodiak, no Alasca, moravam com mulheres nativas da Califórnia.

Russos e crioulos europeus misturados se casavam com trabalhadores nativos locais dos povos Kashaya Pomo e Miwok e as pessoas eram sepultadas umas ao lado das outras, no antigo cemitério russo na colina.

Em comparação com outras colônias europeias, o Forte Moss também era bastante tolerante.

"Os russos não vieram para cá para 'civilizar' o local, como os espanhóis", afirma Kimsey. Ele atua como elo tribal para as comunidades nativas da região.

Mais de 130 pessoas da Rússia, do Alasca e nativas da Califórnia foram enterradas no cemitério do Forte Ross
Mais de 130 pessoas da Rússia, do Alasca e nativas da Califórnia foram enterradas no cemitério do Forte Ross
Foto: Alamy / BBC News Brasil

Seguimos por uma descida íngreme até uma praia em forma de lua crescente. Ali, trabalharam um dia lado a lado toneleiros, carpinteiros e ferreiros, trazidos pela Companhia Russo-Americana de locais distantes como a Finlândia e o Havaí.

"É aqui que foram construídos os primeiros navios da Califórnia que navegaram pelo oceano", explica ele. E também é aqui que foram fabricados os primeiros tijolos, vidros e moinhos de vento da Califórnia.

Com os trabalhadores construindo grandes navios, forjando ferro, moldando latão e produzindo metais, o Forte Ross passou a ser o principal centro industrial da Califórnia.

Os russos comercializavam estas mercadorias tão cobiçadas com seus vizinhos espanhóis e, posteriormente, mexicanos, em troca de provisões para seus assentamentos no Alasca. Com isso, eles inadvertidamente ajudaram seus rivais a colonizar a Califórnia.

A Casa Kuskov no Forte Ross serviu de residência dos administradores coloniais entre 1817 e 1838. Ela recebeu seu nome do primeiro administrador da fortaleza, Ivan Aleksandrovich Kuskov (1765-1823)
A Casa Kuskov no Forte Ross serviu de residência dos administradores coloniais entre 1817 e 1838. Ela recebeu seu nome do primeiro administrador da fortaleza, Ivan Aleksandrovich Kuskov (1765-1823)
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Foi também da enseada de águas rasas que saíram os navios cargueiros e caiaques com caçadores rumo ao principal porto de águas profundas da colônia, a 35 km ao sul em Rumyantsev (atualmente, baía de Bodega) e à sua estação de impermeabilização nas ilhas Farallon, perto do litoral de São Francisco.

À medida que o Forte Ross crescia em importância, também aumentavam na Companhia Russo-Americana os apelos pelo cumprimento da recomendação de Rezanov, de anexar a costa oeste da América do Norte ao território russo.

Em 1821, o czar Alexandre 1° (1777-1825) publicou um decreto imperial, reivindicando o controle russo sobre a área que vai do atual Estado americano de Oregon até o Alasca.

John Quincy Adams (1767-1848), que viria a se tornar o sexto presidente dos Estados Unidos, questionou rapidamente a decisão e alertou à Rússia que as Américas "não são mais objeto de nenhum estabelecimento colonial europeu".

Com isso, ele definiu um dos princípios fundamentais da política externa americana: a Doutrina Monroe, que se opõe à interferência estrangeira no Hemisfério Ocidental.

Com o Forte Ross como base, a Rússia tentou reivindicar todo o litoral noroeste do Pacífico que, hoje, faz parte dos Estados Unidos
Com o Forte Ross como base, a Rússia tentou reivindicar todo o litoral noroeste do Pacífico que, hoje, faz parte dos Estados Unidos
Foto: Eliot Stein / BBC News Brasil

Da praia, Kimsey e eu escalamos um morro íngreme após a fortaleza, até o pomar que foi criado pelos russos a partir de um único pessegueiro, em 1814.

Abrimos o portão para observar o local. Das centenas de árvores produtoras de cítricos e outras plantadas pelos russos, sobrevive único ramo de cerejeira capulin com 200 anos de idade.

Mas os russos, na verdade, deixaram um legado agrícola maior do que imagina a maioria das pessoas.

"Foram os russos que plantaram as primeiras uvas no atual condado de Sonoma, em 1817", conta a bibliotecária oficial do vinho local, Megan Jones.

Ela explica que, embora Sonoma seja atualmente considerada "o berço do movimento moderno do vinho americano", comerciantes russos introduziram a agora rara uva Mission em Sonoma e produziram pequenos lotes de vinho tinto leve.

Das mais de 425 vinícolas de Sonoma, apenas uma ainda produz vinho exclusivamente com uvas Mission, como faziam os russos no Forte Ross: a Scribe Winery.

O Forte Ross fica sobre um platô a cerca de 46 metros sobre o oceano Pacífico
O Forte Ross fica sobre um platô a cerca de 46 metros sobre o oceano Pacífico
Foto: Alamy / BBC News Brasil

Mas, mesmo com todas as suas inovações, o Forte Ross nunca atingiu seus dois objetivos principais: gerar lucros e matar a fome dos colonos do Alasca.

No início dos anos 1820, os caçadores nativos do Alasca da Companhia Russo-Americana haviam caçado tantas lontras que chegaram a exterminar a população local dos animais. E uma combinação de forte nevoeiro no litoral e excesso de roedores levou à produção de apenas 13 toneladas de trigo por ano, entre 1826 e 1833.

O começo do fim da Califórnia czarista veio em 1839, quando a Companhia da Baía de Hudson, administrada pelos britânicos, concordou a fornecer provisões dos seus assentamentos do noroeste do Pacífico para o Alasca russo.

Dois anos depois, um imigrante suíço chamado John Sutter (1803-1880) comprou dos russos por US$ 30 mil os bens e as construções do Forte Ross. Ele canibalizou partes das estruturas para criar seu próprio assentamento em Sacramento.

Sete anos depois da saída dos russos para o Alasca, uma descoberta casual no terreno de Sutter levou à Corrida do Ouro da Califórnia.

O legado da Rússia na Califórnia

Atualmente, os restos do passado czarista permanecem espalhados pela Califórnia, ao norte de São Francisco.

Um dos bairros mais famosos da cidade chama-se Russian Hill ("Morro Russo", em inglês).

Seu nome vem dos túmulos de marinheiros da Companhia Russo-Americana que foram descobertos no local durante a Corrida do Ouro. Quando for visitá-lo, procure uma placa perto de 1120 Vallejo Street.

Um marco histórico na baía de Bodega mostra o local de onde os russos saíam para sua capital no Alasca, Novo-Arkhangelsk (atual Sitka). E mais de um milhão de pessoas visitam o vale do rio Russo todos os anos para nadar, caminhar e provar alguns dos melhores vinhos dos Estados Unidos.

"Os russos chamavam este rio de Slavyanka, uma das principais artérias que eles usavam para explorar a região", explica Suki Waters, descendente do povo Kashaya Pomo e proprietária da empresa WaterTreks, que promove passeios ecológicos ao longo do rio Russo.

Passamos de caiaque por focas e pelicanos migrantes, enquanto ela conta histórias da sua trisavó, que viveu na época em que os russos chegaram à região.

"O Forte Ross foi uma aldeia de pesca sazonal chamada Metini por milhares de anos", segundo ela.

"Quando os russos chegaram, os anciãos os chamaram de 'Povo Submarino' porque, vistos do alto da falésia, a impressão era que eles haviam saído do oceano."

Atualmente, este mirante solitário convida os visitantes a refletir longamente sobre o passado czarista da Califórnia
Atualmente, este mirante solitário convida os visitantes a refletir longamente sobre o passado czarista da Califórnia
Foto: Eliot Stein / BBC News Brasil

Ainda na mesma tarde, passei novamente pelas placas em cirílico, pela paliçada e pela sloboda do Forte Ross, em direção a uma praia isolada à beira daquela falésia.

Observando do alto o oceano Pacífico, imaginei quantos dias seriam necessários para chegar até a Rússia. Até que o carrilhão distante da capela ecoou no ar e me fez lembrar uma observação de Robin Joy Wellman.

"O fato de que uma pequena parte da Rússia ficava aqui na Califórnia é fabuloso. Por que iríamos querer esquecer isso?"

Programe sua visita

Existem visitas guiadas ao Forte Ross. O local promove um festival anual em julho e a igreja ainda celebra missas em russo no Memorial Day e no 4 de Julho.

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Travel.

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