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Houthis voltam a atacar a Arábia Saudita enquanto conflito se expande no Mar Vermelho

A guerra no Iêmen voltou a se intensificar, provocando uma escalada das tensões entre os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, e a Arábia Saudita. Nesta quinta-feira (24), Riade afirmou ter interceptado seis mísseis balísticos lançados do território iemenita contra as regiões de Taif e Yanbu, no oeste do reino, em um novo episódio da deterioração da segurança na Península Arábica.

24 set 2026 - 12h16
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Resumo
A Arábia Saudita interceptou novos ataques dos rebeldes houthis em meio à escalada do conflito pelo controle do estratégico estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, rota vital para o comércio global e o petróleo saudita. Os confrontos violentos no Iêmen já deixaram centenas de combatentes mortos em poucas horas e reacenderam os bombardeios contra cidades sauditas. A ONU alerta que essa retomada agrava a crise humanitária local, provocando mortes de civis e milhares de deslocados.

Pouco antes, as autoridades sauditas haviam emitido um alerta de "perigo potencial" para diversas regiões do país, incluindo Meca, a cidade mais sagrada do islã. O aviso, que também abrangia Taif, Jidá, Tabuk e Yanbu, foi suspenso minutos depois.

Imagem mostra fumaça no céu, nesta captura de tela, extraída de um vídeo que supostamente mostra combatentes houthis atacando forças apoiadas pela Arábia Saudita na área identificada pela fonte como a província de al-Jawf, no Iêmen, em 15 de setembro de 2026.
Imagem mostra fumaça no céu, nesta captura de tela, extraída de um vídeo que supostamente mostra combatentes houthis atacando forças apoiadas pela Arábia Saudita na área identificada pela fonte como a província de al-Jawf, no Iêmen, em 15 de setembro de 2026.
Foto: © capture d'écran d'une vidéo du service de communication militaire houthi / via Reuters / RFI

Segundo a coalizão militar liderada pela Arábia Saudita, criada em 2015 para apoiar o governo iemenita contra os houthis, os projéteis foram abatidos pelas defesas aéreas antes de atingirem seus alvos.

"As escaladas e violações da milícia terrorista houthi serão respondidas com firmeza", declarou o porta-voz da coalizão, Turki al-Maliki, em mensagem divulgada na rede social X.

Os houthis, que controlam a capital Sanaa e grande parte do norte do Iêmen, têm atacado o reino saudita desde julho, após anos de relativa calmaria no conflito.

Bab el-Mandeb se torna ponto central da disputa

A nova ofensiva está ligada à crescente importância estratégica do estreito de Bab el-Mandeb, passagem marítima que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e constitui um elo essencial entre a Europa e a Ásia por meio do Canal de Suez.

Em setembro, os houthis assumiram o controle da costa iemenita do Mar Vermelho, consolidando seu domínio sobre a região do estreito. A hidrovia ganhou relevância desde que o Irã passou a restringir severamente a navegação pelo Estreito de Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico, após o início da guerra regional desencadeada pelos confrontos envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos.

Além de garantir uma importante rota comercial internacional, Bab el-Mandeb é considerado vital para as exportações sauditas de petróleo.

Ataques e confrontos em várias frentes

A tensão aumentou na semana passada, quando a Arábia Saudita acusou os houthis de lançar um drone em direção a Meca. O aparelho teria sido interceptado antes de atingir a região, mas o movimento iemenita negou qualquer envolvimento no episódio.

Dias depois, a própria capital saudita, Riade, foi alvo de um ataque, pela primeira vez em vários anos.

Paralelamente, os houthis mantêm intensos combates no território iemenita contra as forças governamentais apoiadas pela aviação saudita. Os confrontos concentram-se principalmente nas áreas montanhosas que dominam o estreito de Bab el-Mandeb.

Segundo fontes militares citadas pela AFP, pelo menos 150 combatentes morreram nas últimas 24 horas. Entre eles, 98 integrantes das forças governamentais, muitos atingidos por ataques de mísseis e drones perto da fronteira saudita, e 52 combatentes houthis.

Desde o início de setembro, os confrontos também provocaram dezenas de mortes entre civis.

ONU alerta para agravamento da crise humanitária

Diante da deterioração da situação, o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, manifestou preocupação com o impacto crescente da violência sobre a população civil. "Como se o povo iemenita já não tivesse sofrido o suficiente, os civis agora estão arcando com o peso dessa nova onda de violência", afirmou em comunicado divulgado nesta quinta-feira.

De acordo com o Escritório do Alto Comissariado, ao menos 32 civis morreram desde o início de agosto, entre eles 15 crianças e três mulheres.

A ONU também calcula que os combates reiniciados em setembro já tenham deslocado mais de 130 mil pessoas, agravando uma crise humanitária considerada uma das mais graves do mundo após mais de uma década de guerra.

Para analistas, a retomada dos confrontos entre houthis e Arábia Saudita amplia o risco de regionalização ainda maior do conflito, em um momento em que o Oriente Médio já enfrenta múltiplas frentes de instabilidade e tensões envolvendo Irã, Israel e seus aliados.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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