Guerra no Oriente Médio completa um mês e ofensiva se amplia com ataque dos Houthis contra Israel
A guerra no Oriente Médio entra no segundo mês sem mostrar sinais de desescalada. Neste sábado (28), os Houthis — aliados do Irã — reivindicaram seu primeiro ataque contra Israel desde o início do conflito. A mídia estatal iraniana informou que ataques conjuntos dos EUA e de Israel atingiram várias áreas povoadas no Irã durante a noite, matando pelo menos 12 pessoas.
Em Boroujerd, na província ocidental de Lorestan, sete pessoas foram mortas e 36 ficaram feridas, segundo a agência de notícias Fars, que ouviu o funcionário provincial Ghodratollah Valadi.
Ataques semelhantes em Zanjan, no noroeste do país, deixaram pelo menos cinco mortos e sete feridos, de acordo com a ISNA, que citou o vice-governador da cidade, Ali Sadeghi.
Durante a madrugada, explosões sacudiram Teerã, atingindo a Universidade de Ciência e Tecnologia, no nordeste da capital. Edifícios foram danificados, mas não houve vítimas, segundo relatos da imprensa local.
O Exército israelense confirmou que sua defesa aérea interceptou o lançamento de um míssil vindo do Iêmen. Durante a guerra entre Israel e o Hamas em Gaza, entre 2023 e 2025, os insurgentes houthis realizaram diversos ataques contra Israel e navios mercantes no Mar Vermelho, chegando a interromper o tráfego naquela via estratégica — hoje fundamental para as exportações de petróleo da Arábia Saudita, que evita o Estreito de Ormuz, ainda bloqueado por Teerã.
A Tailândia afirmou ter chegado a um acordo com o Irã para garantir a navegação de seus petroleiros no Estreito de Ormuz.
Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica, o Irã reportou um novo ataque às instalações nucleares de Bushehr, no sul do país. Não foram registrados danos ao reator nem emissões de radiação, e as condições na usina permanecem normais. O diretor-geral da agência, Rafael Grossi, reiterou o pedido de "contenção militar para evitar qualquer risco de acidente".
Enquanto isso, Estados Unidos e Iraque anunciaram um reforço de sua cooperação com a criação de um comitê de coordenação para prevenir ataques de grupos pró-Irã, informou a embaixada americana em Bagdá.
Em Omã, um trabalhador ficou ferido e houve danos materiais após um ataque de drone a um dos principais portos do país.
Ataques com mísseis e drones iranianos também provocaram incêndios na zona industrial de Abu Dhabi.
Negociações
Uma reunião dos ministros das Relações Exteriores do Paquistão, Arábia Saudita, Turquia e Egito está marcada para este domingo (29) e segunda-feira (30), em Islamabad. Eles também devem se encontrar com o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif.
Uma fonte do governo disse à AFP que Sharif conversou por mais de uma hora, no sábado, com o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, em preparação para o encontro. Ambos já haviam discutido o conflito e o papel de mediação do Paquistão nas últimas semanas.
Enquanto os ataques prosseguem no Oriente Médio, o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, espera realizar novas reuniões nesta semana para tratar da guerra. O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, mencionou a possibilidade de um fim próximo das operações.
Porém, segundo o Wall Street Journal, Washington estaria considerando enviar 10 mil soldados adicionais ao Oriente Médio.
O presidente Donald Trump criticou a Otan por não ter oferecido apoio para garantir a segurança no Estreito de Ormuz e voltou a levantar dúvidas sobre o compromisso dos Estados Unidos com os aliados em caso de ataque a um dos membros da aliança atlântica.
Com AFP