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Guerra no Oriente Médio: a economia iraniana conseguirá sobreviver ao conflito?

Com a escalada da guerra no Oriente Médio, a questão vai muito além do âmbito militar. A economia iraniana, já fragilizada por anos de inflação, sanções e fuga de capitais, precisa agora absorver o impacto de um conflito. Entre a dependência do petróleo, a pressão internacional e as restrições internas, a capacidade de Teerã de manter sua estabilidade econômica tornou-se uma questão central para o futuro do país.

5 mar 2026 - 10h30
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Stéphane Geneste, da RFI em Paris

Foto ilustrativa da Bolsa de Valores de Teerã, em 15 de setembro de 2010.
Foto ilustrativa da Bolsa de Valores de Teerã, em 15 de setembro de 2010.
Foto: Reuters / Caren Firouz / RFI

Mesmo antes do início do conflito, a economia iraniana já atravessava um período de grave turbulência. A inflação ultrapassou os 30% ao ano nos últimos sete anos. O poder de compra está em queda livre, enquanto o desemprego entre os jovens continua a aumentar.

Ao mesmo tempo, parte da mão de obra qualificada está deixando o país. Essa fuga de cérebros enfraquece ainda mais uma estrutura econômica já fragilizada. A moeda nacional está se desvalorizando e a confiança dos investidores está se deteriorando.

Nesse contexto, os investimentos estão se tornando escassos. No Irã, os investimentos não visam mais primordialmente o desenvolvimento de negócios ou a conquista de novos mercados. O objetivo, muitas vezes, é mais defensivo, voltado para a proteção do capital contra a instabilidade econômica e monetária.

Receita do petróleo sob pressão apesar de reservas consideráveis

Um dos maiores ativos do Irã continua sendo seus hidrocarbonetos. O país possui a terceira maior reserva de petróleo do mundo, e essa receita energética tem sido um pilar do modelo econômico iraniano por décadas. As receitas do petróleo financiam o Estado, sustentam as importações e, em certa medida, mantêm um grau de estabilidade social.

Mas esse modelo está agora sob forte pressão. As sanções ocidentais visam especificamente o petróleo iraniano e limitam sua venda nos mercados internacionais. Para contornar essas restrições, Teerã vende seu petróleo bruto a preços reduzidos, principalmente para a China. Pequim, assim, absorve grande parte das exportações de petróleo iranianas por meio de canais de pagamento alternativos que não utilizam o dólar e o euro. Ao mesmo tempo, a Rússia também desempenha um papel na economia iraniana, particularmente em termos de investimento.

No entanto, a guerra complica essa equação. O conflito aumenta os riscos logísticos, eleva os custos de transporte e enfraquece certas rotas de exportação. Essas interrupções podem ter um impacto direto nas receitas do país e desacelerar todo o sistema econômico.

Guerra e a estrutura do poder econômico: risco de aceleração da crise

A resiliência da economia iraniana também depende de sua estrutura interna. Uma parcela significativa do aparato produtivo é controlada pela Guarda Revolucionária, que ocupa uma posição central na economia do país. Esse complexo militar-econômico captura uma parcela substancial das receitas estratégicas. Esse sistema limita a transparência econômica e desvia recursos que poderiam ser investidos em desenvolvimento industrial ou infraestrutura.

Em tempos de guerra, essa dinâmica tende a se intensificar. Os gastos militares aumentam e a prioridade é dada à segurança em detrimento da produtividade econômica. A economia civil, portanto, é pressionada. O conflito, consequentemente, atua como um acelerador da crise. Ele aumenta os gastos públicos em um contexto de déficit crônico, exacerba a desconfiança monetária e incentiva a fuga de capitais. Também expõe a infraestrutura econômica a riscos diretos, como a destruição de portos ou locais de extração.

No curto prazo, a economia iraniana ainda consegue se manter graças a diversos fatores: suas substanciais reservas de energia, o apoio de parceiros estratégicos e um mercado interno de mais de 85 milhões de pessoas. Mas, no longo prazo, esses recursos podem se esgotar. A verdadeira questão, então, deixa de ser a sobrevivência imediata e passa a ser a capacidade do país de manter sua economia sem uma transformação profunda em sua organização e modelo econômico.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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