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Guerra com drones no Oriente Médio desperta interesse global pela expertise ucraniana

Tecnologicamente atrasados ​​em relação ao Ocidente, mas forçados a inovar diante dos drones russos, os ucranianos estão agora sendo procurados por grandes potências que estão ficando sem soluções no Oriente Médio contra os drones Shahed iranianos, há muito tempo considerados obsoletos.

13 mar 2026 - 16h39
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"Há seis meses, oferecemos isso a Washington, mas na época eles recusaram. Hoje, eles estão voltando a nos procurar dizendo: 'Ok, nos deem suas tecnologias anti-Shahed'", disse Oleksandr Yurchak, diretor da Associação Ucraniana de Automação Industrial.

Ele faz parte de uma delegação de Kiev que a AFP encontrou esta semana na feira JEC World, em Villepinte, ao norte de Paris, que veio formar parcerias para combinar a agilidade e a experiência de combate ucranianas com materiais e tecnologias ocidentais.

Na Europa, prevalece a mesma mentalidade: "Os ucranianos estão lutando com pequenos drones, enquanto nós dependemos de tecnologias altamente sofisticadas, nas quais investimos há anos", acrescenta Yurchak.

No entanto, a guerra no Oriente Médio mostra que "esta não é uma guerra dos pobres, mas uma mudança de abordagem" em um conflito moderno, enquanto o Ocidente "não revisou suas doutrinas ou táticas", observa ele.

Custos equivalentes

"Israel manifestou interesse na última semana. Os Estados do Golfo e a Arábia Saudita estão atualmente buscando contratos potenciais com ucranianos", afirma Emmanuel Lowe, embaixador internacional do cluster ucraniano de tecnologia de dupla utilização.

Mas por que, após quatro anos de guerra na Ucrânia, onde drones são responsáveis por 70% das baixas na linha de frente, as bases norte-americanas e europeias no Oriente Médio ainda não estão protegidas contra drones Shahed, que já causaram a morte de um soldado francês?

"Não os afetou, e não era sua prioridade", resume Yuri, um engenheiro ucraniano de projeto de drones que preferiu não divulgar seu sobrenome por motivos de segurança. Ele também não revelou as empresas para as quais trabalha, alegando acordos de confidencialidade.

Os drones Shahed, enviados como enxames, são "terrivelmente eficazes" e "recursos equivalentes" são necessários para neutralizá-los, enfatizou o general Jérôme Bellanger, chefe do Estado-Maior da Força Aérea e Espacial francesa, durante uma reunião com a Associação de Jornalistas de Defesa.

O Irã, criador deste drone, que foi testado e aperfeiçoado pela Rússia em campo na Ucrânia, está agora usando sua versão avançada contra Israel e as potências ocidentais no Oriente Médio.

"Ele está passando por um aprimoramento contínuo" e "os métodos para combatê-lo estão evoluindo muito rapidamente", observou o general, mencionando redes antidrone, interferência eletrônica e drones interceptadores, a tática mais frequentemente usada na Ucrânia.

"O drone interceptador, que custa um valor semelhante ao do inimigo, é uma invenção da guerra russo-ucraniana", explica Evgen Rokytsky, chefe da Associação Ucraniana de Inovação e Clusters Espaciais, "para evitar abater um drone que custa € 50 mil com um míssil multimilionário".

A interferência eletrônica tem suas limitações: cobrir um amplo espectro pode danificar os sistemas aliados. "Nesta batalha, quem conseguir alternar rapidamente entre frequências, cobrir um espectro mais amplo e gerenciar o fornecimento de energia leva vantagem (...) Os ucranianos sabem como fazer isso, mas os russos são melhores", acredita Rokytsky.

90% de componentes chineses

"Na França, produzimos 10 mil drones por ano. Em 2025, só do lado ucraniano, tínhamos 4,5 milhões de drones, um número mais que o dobro em relação aos russos. Quantitativamente, a experiência deles é muito superior", enfatiza Emmanuel Lowe.

"Vemos isso nos testes conduzidos pelos franceses, britânicos, etc. Eles vêm para a Ucrânia pensando que terão o drone que vai derrotar tudo. E vão embora porque mais da metade já está obsoleta", continua ele.

Yuri, o engenheiro ucraniano, acredita que "a experiência adquirida pelos ucranianos em alcançar resultados com recursos mínimos" pode ser de interesse para os ocidentais, assim como a oportunidade de testar suas câmeras, antenas e conversores de frequência em condições reais.

Em contrapartida, os ucranianos, recusando-se a serem um campo de testes gratuito, exigem acesso a tecnologias e materiais modernos, visto que 90% dos componentes dos drones fabricados atualmente são de origem chinesa.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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