Governo talibã acusa Paquistão de matar ao menos 400 em ataque a hospital em Cabul
Islamabad chamou declaração de 'falsa e enganosa'
O Afeganistão acusou o Paquistão de bombardear um hospital para reabilitação de dependentes químicos em Cabul, deixando ao menos 400 mortos e 250 feridos. Islamabad negou, chamando a afirmação de "falsa e enganosa". As informações foram publicadas na Reuters nesta terça-feira (17).
O vice-porta-voz da administração talibã no Afeganistão, Hamdullah Fitrat, sustentou que a ofensiva ocorreu na segunda (16) e teve como alvo o hospital Omid, deixando "grande parte" de sua estrutura destruída.
O ataque "mirou precisamente instalações militares e infraestrutura que apoiam o terrorismo", rebateu o governo paquistanês, citado pela agência.
Repórteres da AFP e do New York Times afirmaram terem testemunhado a retirada de dezenas de corpos dos escombros do hospital. Segundo a mídia americana, seu repórter viu pelo menos 80 cadáveres entre ontem e hoje.
O centro Emergency para vítimas de guerra no Afeganistão declarou ter recebido ao menos 27 feridos após os diversos ataques aéreos em Cabul na noite passada.
"A maioria das vítimas veio de um hospital para dependentes químicos", revelou o diretor do Emergengy, Dejan Panic, antes de ressaltar: "Pedimos que as instalações de saúde sejam sempre respeitadas e não se tornem alvos de bombardeios." As Nações Unidas criticaram a ofensiva contra o centro médico em Cabul.
O ataque "deve ser objeto de uma investigação rápida, independente e transparente, e os responsáveis devem responder seguindo os padrões internacionais", afirmou Thameen al-Kheetan, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, em Genebra.
O funcionário da ONU pontuou que "as conclusões dessa investigação devem ser tornadas públicas".
"As vítimas e seus familiares têm direito a indenização", concluiu al-Kheetan.
Já o ministro da Informação do Paquistão, Attaullah Tarar, confirmou que as Forças Armadas do país realizaram "ataques aéreos de precisão" durante a noite, como parte de uma operação em andamento contra instalações supostamente utilizadas por grupos militantes em Cabul e Nangarhar.
No X, Tarar escreveu que os bombardeios destruíram "infraestruturas de suportes técnicos e depósitos de munição" em dois locais da capital afegã, acrescentando que explosões secundárias visíveis indicavam a presença de "grandes estoques de munição".
O ministro também declarou que outros quatro locais na província de Nangarhar foram atingidos, "danificando centros de logística, depósitos de munição e infraestruturas técnicas" supostamente utilizados por grupos militantes, incluindo o Tehrik-e-Taliban Pakistan (TTP) e separatistas étnicos balúchis.