Governo da Itália pede abertura de CPI sobre caso de atentado a jornalista
Escândalo com apresentador da RAI colocou credibilidade de programa em risco
O ministro dos Negócios e do Made in Italy (Mimit) Adolfo Urso pediu em carta que o jornalismo investigativo "seja realizado em condições que garantam total credibilidade".
A solicitação, enviada nesta segunda-feira (13) aos presidentes das duas casas do Parlamento italiano e ao CEO da emissora estatal RAI diz respeito ao vínculo entre os jornalistas Sigfrido Ranucci e Valter Lavitola, após este último passar a ser investigado como o suposto mandante de um atentado a bomba contra o primeiro, apresentador do programa investigativo "Report".
Urso frisou que os órgãos competentes ajam em conformidade com o contrato de serviço da RAI ? sob responsabilidade do Mimit ? para assegurar que o jornalismo investigativo seja realizado em condições que garantam "total confiabilidade".
Na carta endereçada aos parlamentares Ignazio La Russa e Lorenzo Fontana, o ministro enfatizou a necessidade "urgente de compor, o mais rápido possível", uma comissão parlamentar de fiscalização da RAI.
Segundo Urso, a supervisão tornou-se "ainda mais crítica" à luz do ataque ao apresentador do programa Report [Ranucci] e do risco de influência externa no jornalismo investigativo".
Por esse motivo, é "urgente e imperativo" garantir que "o órgão de supervisão parlamentar esteja plenamente equipado para desempenhar suas atribuições, salvaguardando e monitorando o contrato de prestação de serviços no que diz respeito a uma função que não é apenas crucial para a qualidade e a independência da cobertura jornalística, mas também delicada e complexa", reforçou o chefe do Mimit.
Já na carta enviada ao CEO da RAI, Gianpaolo Rossi, o ministro citou o contrato de serviço da RAI, segundo o qual a emissora pública deve desenvolver uma oferta de notícias "confiável, credível e de alta qualidade", combater o fenômeno da "desinformação" e assegurar "o fortalecimento e a promoção de sua tradição de jornalismo investigativo".
Ainda hoje, o advogado de Ranucci, Roberto De Vita, informou que apresentou uma queixa formal e uma denúncia criminal por difamação agravada e outras infrações. A medida foi tomada após "declarações, artigos de imprensa, especulações e insinuações explícitas" transformarem "a vítima de um ataque grave em seu suposto beneficiário, ao afirmar ou sugerir que o atentado foi encenado".
De Vita explicou que a queixa formal inclui não apenas o nome do apresentador do Report, mas também de outros jornalistas da equipe do programa. Ela foi encaminhada à Promotoria de Roma, sob a alegação de "divulgação de segredos oficiais e de investigação".
A queixa diz respeito à "divulgação de informações e trechos de documentos protegidos por sigilo de investigação", explicou o advogado, citando "o conteúdo de interceptações telefônicas, transcrições e registros de depoimentos de testemunhas referentes a uma investigação em curso e de alta sensibilidade sobre um grave atentado a bomba contra Ranucci".
"Tal divulgação levou à publicação de matérias nos jornais Domani e La Verità, resultando em prejuízos graves à investigação, maior exposição a riscos e danos à reputação, decorrentes do uso parcial e instrumental do material para criar narrativas distorcidas", afirmou De Vita.
Ranucci foi alvo de um ataque em outubro de 2025, quando um explosivo foi detonado em frente ao portão de sua casa em Pomezia, destruindo dois carros estacionados na rua ? o dele e o de sua filha ? e danificando um muro.
De acordo com as investigações, Lavitola seria o suposto mandante do ataque a bomba contra o colega de profissão. Ele nega envolvimento no caso.
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