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Governo britânico estuda tirar ex-príncipe Andrew da linha de sucessão real

O ex-Duque de York é o oitavo na linha de sucessão ao trono, o que significa que ele continua elegível para ser rei.

21 fev 2026 - 10h11
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Andrew Mountbatten-Windsor foi fotografado usando as vestes de uma ordem militar na coroação de seu irmão em 2023
Andrew Mountbatten-Windsor foi fotografado usando as vestes de uma ordem militar na coroação de seu irmão em 2023
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

O governo do Reino Unido está estudando a possibilidade de introduzir legislação para remover Andrew Mountbatten-Windsor, o ex-príncipe Andrew, da linha de sucessão real.

O ministro britânico da Defesa, Luke Pollard, disse à BBC que a medida — que impediria Andrew de se tornar rei — era a "coisa certa a se fazer", independentemente do resultado de uma investigação policial sobre o ex-príncipe.

Atualmente, Andrew, que é irmão do rei Charles 3º, permanece em oitavo lugar na linha de sucessão ao trono, apesar de ter sido destituído de seus títulos — incluindo o de "príncipe", em outubro passado — em meio à pressão sobre suas ligações com o financista pedófilo Jeffrey Epstein.

Na noite de quinta-feira (19/2), Andrew foi liberado, mas segue sob investigação, 11 horas após ter sido detido por suspeita de má conduta em cargo público. Ele tem negado veementemente e consistentemente qualquer irregularidade.

Em entrevista ao programa Any Questions da BBC Radio 4, Pollard confirmou que o governo estava "com certeza" trabalhando com o Palácio de Buckingham em planos para impedir que o ex-príncipe "estivesse potencialmente a um passo do trono".

Ele disse que isso era "algo que espero que tenha apoio de todos os partidos, mas é correto que isso só aconteça quando a investigação policial for concluída".

O Secretário-Chefe do Tesouro, James Murray, disse à BBC que "qualquer pergunta nessa esfera seria bastante complicada", acrescentando que a investigação policial em andamento precisa "chegar a um fim".

Neste sábado (21/2), vários carros da polícia descaracterizados foram vistos novamente entrando no Royal Lodge, a propriedade de 30 cômodos em Windsor onde Andrew morou por muitos anos.

Em um determinado momento na sexta-feira, mais de 20 veículos podiam ser vistos estacionados na propriedade, embora não se saiba se todos estavam relacionados à investigação e às buscas.

A Polícia do Vale do rio Tâmisa, a força policial que o deteve, deve continuar as buscas no Royal Lodge até segunda-feira, segundo informações da BBC. Diversas outras forças em todo o Reino Unido também estão considerando a possibilidade de iniciar investigações, afirmou Danny Shaw, ex-conselheiro da ex-secretária do Interior, Yvette Cooper.

"Há o risco de a situação sair do controle", disse Shaw ao programa Today da Radio 4. Por causa disso, essas investigações podem levar "um tempo considerável", acrescentou.

A proposta do governo de remover Andrew da linha de sucessão surge depois que alguns parlamentares, incluindo os Liberais Democratas e o Scottish National Party, sinalizaram seu apoio a tal legislação.

Alguns parlamentares trabalhistas que têm sido críticos da monarquia disseram à BBC que estavam menos convencidos de que a medida era necessária — em parte porque é muito improvável que o ex-Duque de York fique perto do trono na linha de sucessão.

Em outubro, o governo britânico havia dito que não tinha planos de introduzir uma lei para alterar a linha de sucessão.

Após as mais recentes revelações, o historiador David Olusoga disse ao programa Newsnight da BBC que agora existe "um desejo desesperado dentro do governo e dentro do palácio de criar uma barreira... entre esta crise e a monarquia em geral".

O Palácio de Buckingham não se pronunciou publicamente sobre os planos do governo de remover Andrew da linha de sucessão.

A medida exigiria uma lei do Parlamento, que teria de ser aprovada pelos deputados e membros da Câmara dos Lordes e entraria em vigor após receber a sanção real do Rei.

Também precisaria do apoio dos 14 países da Commonwealth onde Charles 3º é chefe de Estado, incluindo Canadá, Austrália, Jamaica e Nova Zelândia.

A última vez que a linha de sucessão foi alterada por uma lei do Parlamento foi em 2013, quando a Lei de Sucessão à Coroa reintegrou indivíduos que haviam sido excluídos anteriormente por terem se casado com um católico.

A lei também pôs fim à "primogenitura masculina", segundo a qual um filho mais novo pode substituir uma filha mais velha na linha de sucessão. Isso se aplica aos nascidos após 28 de outubro de 2011.

A última vez que alguém foi removido da linha de sucessão por uma lei do Parlamento foi em 1936, quando o então Edward 8º e seus descendentes foram removidos devido à sua abdicação.

O líder do Partido Liberal Democrata, Ed Davey, disse que a polícia deveria ter "permissão para realizar seu trabalho, agindo sem medo ou favorecimento".

Ele acrescentou: "Mas é evidente que esta é uma questão que o Parlamento terá de considerar quando chegar o momento certo; naturalmente, a monarquia vai querer garantir que ele nunca se torne rei."

O SNP apoiaria a remoção de Andrew da linha de sucessão se fosse necessária legislação, de acordo com o líder do partido no Parlamento, Stephen Flynn.

A deputada trabalhista Rachael Maskell, que representa York Central, também apoiou a medida.

Ela disse: "Eu apoiaria uma legislação para remover Andrew da linha de sucessão e do cargo de conselheiro de Estado."

Quanto ao rei, ele será capaz de analisar este mais recente desafio sob uma perspectiva que separa os laços familiares do dever oficial, disse Julian Payne, ex-secretário de comunicação do monarca.

"Eles são muito claros: trata-se de um indivíduo. Não é um membro da Família Real", disse Payne ao programa BBC Breakfast. "E eles tratam os dois de maneira muito, muito diferente."

A rainha consorte Camilla, que Payne observou ter se casado com um membro da realeza e ter sido uma cidadã "normal" por décadas, também é "muito hábil em perceber o humor da opinião pública".

"Ela coletará todas as informações e as usará para ajudar o rei quando estiverem formulando suas decisões e decidindo qual caminho seguir."

Conselheiros de Estado podem substituir um monarca doente ou no exterior, embora, na prática, apenas os membros da família real em exercício sejam chamados a desempenhar essas funções.

Remover Andrew da linha de sucessão também o privaria desse papel, de acordo com a Biblioteca da Câmara dos Comuns.

Andrew afastou-se das funções públicas em 2019, após uma reação negativa decorrente de uma entrevista ao programa Newsnight da BBC sobre seu relacionamento com Epstein.

A líder do Partido Conservador, Kemi Badenoch, afirmou que "todos nós na vida pública precisamos dar espaço" para que a investigação policial seja realizada.

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