França condena ataque de Israel à igreja em Gaza e imprensa homenageia padre argentino ferido
O ataque contra a igreja Sagrada Família na Faixa de Gaza repercute na imprensa francesa nesta sexta-feira (18). O presidente da França, Emmanuel Macron, "condenou veementemente" o bombardeio, que deixou três mortos e 10 feridos na quinta-feira (17).
O ataque contra a igreja Sagrada Família na Faixa de Gaza repercute na imprensa francesa nesta sexta-feira (18). O presidente da França, Emmanuel Macron, "condenou veementemente" o bombardeio, que deixou três mortos e 10 feridos na quinta-feira (17).
"Falei com o cardeal Pizzaballa, patriarca latino de Jerusalém", escreveu o chefe de Estado francês, no X, assegurando "a solidariedade da França a todos os cristãos palestinos que, de Gaza a Taybeh, estão hoje ameaçados".
"A continuação desta guerra é injustificável. O cessar-fogo deve ser finalizado agora, e civis e reféns devem ser libertados da ameaça de uma guerra permanente", exigiu Macron. "É injustificável e indigno que a ajuda humanitária não esteja entrando em grande escala, em violação a todos os princípios internacionais de ação humanitária", acrescentou.
Na manhã desta sexta, a Conferência Episcopal Francesa declarou que "nada pode justificar" o ataque contra uma igreja. "Esta nova tragédia se soma àquelas que atingiram indiscriminadamente a população de Gaza desde o início da ofensiva militar", lamentou o cardeal Jean-Marc Aveline.
Netanyahu diz lamentar ataque
O disparo israelense atingiu a única igreja católica na Faixa de Gaza, devastada por uma guerra desencadeada por um ataque do movimento islâmico palestino Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse na noite de quinta-feira que Israel "lamenta profundamente" o ocorrido.
O exército israelense indicou que "uma investigação preliminar sugere que estilhaços de um projétil disparado durante uma operação na área atingiram por engano a igreja" da Sagrada Família na Cidade de Gaza (norte).
O presidente americano, Donald Trump, telefonou a Netanyahu para obter explicações sobre o ataque. Segundo a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, a instituição foi atingida por engano.
Na imprensa francesa, o tradicional jornal católico La Croix lamenta o bombardeio que feriu, entre outras pessoas, o padre argentino Gabriel Romanelli. O diário lembra que a igreja serve de refúgio para meio milhão de pessoas deslocadas pela guerra entre Israel e o grupo Hamas.
Romanelli teve ferimentos leves e já voltou a exercer suas funções. Ele anunciou que fará uma visita eclesiástica a Gaza.
Papa Francisco ligava diariamente para Romanelli
La Croix destaca "o incansável trabalho" que o pároco realiza para alertar as autoridades sobre as atrocidades do conflito. Antes de 7 de outubro de 2023, a Sagrada Família contabilizava 1.017 fiéis, e gerenciava uma escola do Patriarcado Latino de Jerusalém de cerca de 300 alunos, uma creche que acolhia 50 crianças e dois grupos pastorais que organizavam atividades.
Atualmente, a igreja acolhe cerca de 500 pessoas deslocadas - cristãs e muçulmanas. A maioria vive acampada ao redor da instituição.
Sob o pontificado de papa Francisco, a paróquia da Cidade de Gaza, no norte do enclave, estava no centro das preocupações do sumo pontífice argentino, salienta La Croix. "Todas as noites, até os últimos dias de sua vida", Jorge Bergoglio fazia uma chamada de vídeo a Romanelli para obter notícias sobre a situação no local, diz a matéria.
O canal BFMTV exibe nesta manhã uma entrevista com o filho de uma das vítimas do ataque. O palestino Shadi Abou Daoud conta que um tanque israelense mirou na igreja, atingindo vários civis, entre eles, sua mãe, de 70 anos, que morreu após ser atingida por tiros na cabeça.
(Com AFP)