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Forças governamentais sírias se retiram de Sueida e drusos passam a controlar segurança na região

As forças governamentais sírias se retiraram de toda a província de Sueida, de maioria drusa, no sul da Síria, confirmou nesta quinta-feira (17) o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). A retirada ocorreu após um acordo de cessar-fogo anunciado na quarta-feira. O presidente interino sírio, Ahmed al Sharaa, anunciou a transferência "para facções locais" drusas o controle da segurança na província, palco de confrontos comunitários que deixaram mais de 370 mortos desde domingo.

17 jul 2025 - 08h02
(atualizado às 08h14)
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As forças governamentais sírias se retiraram de toda a província de Sueida, de maioria drusa, no sul da Síria, confirmou nesta quinta-feira (17) o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). A retirada ocorreu após um acordo de cessar-fogo anunciado na quarta-feira. O presidente interino sírio, Ahmed al Sharaa, anunciou a transferência "para facções locais" drusas o controle da segurança na província, palco de confrontos comunitários que deixaram mais de 370 mortos desde domingo. 

As forças de segurança sírias, que haviam entrado em Sueida na terça-feira, se retiraram completamente da região na manhã desta quinta-feira, 17 de julho de 2025.
As forças de segurança sírias, que haviam entrado em Sueida na terça-feira, se retiraram completamente da região na manhã desta quinta-feira, 17 de julho de 2025.
Foto: © AFP - SAM HARIRI / RFI

A retirada das forças governamentais da região, iniciada na noite de quarta-feira, terminou nas primeiras horas desta quinta-feira. Segundo o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman, "as autoridades sírias retiraram todas as forças militares da cidade e da província de Sueida". 

"Na cidade, parece não haver mais nenhum integrante das forças governamentais", declarou à AFP o editor-chefe do site de notícias local Sueida 24, Rayan Maarouf. Ele acrescentou que a situação é "catastrófica, com corpos espalhados pelas ruas". 

Em um discurso na televisão, o presidente interino sírio anunciou a transferência "para facções locais e chefes" drusos a responsabilidade pela manutenção da segurança na região. "Priorizamos o interesse dos sírios em vez do caos e da destruição", declarou. 

Ele explicou ter tomado a decisão para "evitar que a província mergulhe em uma nova guerra em larga escala" após quatro dias de distúrbios violentos.

"Tínhamos duas opções: uma guerra aberta com a entidade israelense, ou dar aos chefes drusos a oportunidade de voltar à razão e priorizar o interesse nacional", afirmou Ahmed al Sharaa.

Israel, hostil a qualquer presença militar síria perto de sua fronteira, bombardeou Sueida e o quartel-general do Exército sírio em Damasco na quarta-feira. Segundo o governo israelense, a ação visava proteger a comunidade drusa. 

"Execuções sumárias"

Confrontos entre tribos beduínas sunitas e combatentes drusos eclodiram no domingo na província de Sueida após o sequestro de um comerciante druso de vegetais.

As forças governamentais sírias entraram na cidade na terça-feira para impor uma trégua e foram acusadas de lutar ao lado das tribos beduínas. De acordo com o OSDH, organização baseada no Reino Unido, os confrontos deixaram mais de 370 mortos desde domingo, incluindo 27 civis que foram "executados por agentes ligados aos ministérios da Defesa e do Interior".

Em seu discurso, o presidente Ahmed al Sharaa prometeu responsabilizar os autores de abusos contra "o povo druso, que está sob a proteção e responsabilidade do Estado". 

Os drusos são uma importante minoria do Oriente Médio, cuja religião deriva do islamismo xiita. Estão presentes no Líbano, no sul da Síria e nas Colinas de Golã, uma área síria ocupada por Israel desde 1967. 

Muitos jovens drusos de Golã atravessaram a fronteira e tentaram ir a Sueida em solidariedade à comunidade na Síria, mas foram impedidos por Israel, com bombas de efeito moral, constatou o repórter da RFI na região, Abala Jounaïdi.

Mediação americana, árabe e turca

O presidente sírio acusou Israel de ter recorrido a um bombardeio em larga escala de instalações civis e estatais "para minar os esforços" do governo. De acordo com ele, uma "mediação americana, árabe e turca salvou a região de um destino incerto".

Na quarta-feira, o secretário de Estado americano Marco Rubio anunciou "um acordo para pôr fim à situação instável e aterrorizante" na Síria. Os americanos pediram ao governo sírio para se retirar da zona de conflito no sul do país para acalmar as tensões com Israel.

Trégua temporária?

Em entrevista à RFI, o deputado Walid Joumblatt, representante da minoria drusa e líder do Partido Socialista Progressista no Líbano, afirmou temer que o acordo de trégua em Sueida tenha apenas um efeito temporário.

"Este cessar-fogo é muito frágil porque nem todos em Sueida aceitaram o acordo assinado por uma facção drusa com o governo sírio", explicou o parlamentar. "Essa facção, composta por chefes religiosos, é totalmente contrária à presença do Estado sírio em Sueida e dará continuidade à sua reivindicação de que a província seja separada do resto do país", disse Joumblatt. 

O deputado druso enfatizou que há vários anos políticos israelenses vêm tentando fragmentar a Síria. "O que está em jogo, agora, é um contexto estratégico e histórico totalmente diferente da antiga Síria. Essa gente busca dividir a Síria, com o apoio de Israel", destacou. Sem a presença das forças do governo, Joumblatt teme que "Sueida fique ainda mais vulnerável às ambições do governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e seus ministros radicais". 

(RFI com AFP)

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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