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Filha de Berlusconi se irrita e nega suposto vínculo do pai com máfia italiana

Chefe da Cosa Nostra revelou que seu avô fundou empresa com falecido ex-premiê

2 out 2026 - 16h00
(atualizado às 16h31)
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Resumo
Marina Berlusconi negou com veemência as declarações de Giuseppe Graviano, chefe da Cosa Nostra, que afirmou em tribunal que sua família investiu bilhões de liras nos negócios iniciais de Silvio Berlusconi entre 1969 e 1970. Em carta aberta, a empresária classificou as alegações como infames e sem provas, criticando o processo que reacendeu suspeitas já investigadas por décadas sem qualquer confirmação de elos financeiros entre o ex-premiê italiano e a máfia siciliana.

A empresária Marina Berlusconi, filha do ex-premiê da Itália Silvio Berlusconi, ficou irritada nesta sexta-feira (2) e reagiu às declarações feitas por Giuseppe Graviano, um dos mais importantes chefes da máfia Cosa Nostra, durante uma audiência em um tribunal de Florença.

Segundo o líder mafioso, seu avô, Filippo Quartararo, teria investido entre 4 e 5 bilhões de liras em uma empresa criada com Berlusconi entre 1969 e 1970, período em que o empresário começava a construir sua trajetória no setor imobiliário.

De acordo com Graviano, o investimento total na época teria chegado a 20 bilhões de liras. A declaração reacende uma antiga alegação, jamais comprovada, de que parte do capital utilizado pelo ex-premiê italiano no início de sua carreira empresarial teria origem na Cosa Nostra, a máfia siciliana.

Entretanto, Marina, presidente da holding familiar Fininvest e da editora Mondadori, contestou duramente as declarações em uma carta publicada pelo jornal "Il Giornale", ligado à família Berlusconi.

"Um chefe feroz se disfarçou de acusador para relançar suas infames acusações sem o menor contraditório e foi autorizado a arrastar para o banco dos réus aqueles que sequer podem se defender", afirmou Marina.

Para ela, o processo em questão transformou Salvatore Baiardo, acusado de difamar um jornalista de televisão, em um pretexto para retomar acusações antigas contra seu pai e Marcello Dell'Utri, ex-assessor de Berlusconi.

"Os verdadeiros réus são Silvio Berlusconi e Marcello Dell'Utri, forçados a um julgamento clandestino que ridiculariza os princípios do Estado de Direito", escreveu.

Marina também afirmou que as declarações de Graviano, condenado por envolvimento em atentados mafiosos que provocaram múltiplas mortes, não foram acompanhadas de provas.

De acordo com a executiva italiana, investigações realizadas ao longo de décadas, além da análise de documentos e outras verificações, não teriam encontrado evidências das supostas reuniões ou da origem mafiosa dos capitais atribuídos à família.

"Não há absolutamente nenhuma prova dessas reuniões ou desses capitais ? nada, absolutamente nada", afirmou.

A família Berlusconi rejeita as acusações de vínculos financeiros entre a Cosa Nostra e a formação do patrimônio do ex-primeiro-ministro italiano. Dell'Utri, por sua vez, foi condenado por associação mafiosa e cumpriu pena por seus vínculos com a máfia. 

Ansa - Brasil
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