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Ex-dirigentes do Khmer Vermelho são condenados por genocídio

Os réus são Nuon Chea, 92 anos, e Khieu Samphan, 87

16 nov 2018 - 08h02
(atualizado às 08h38)
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Em uma sentença inédita, um tribunal internacional condenou nesta sexta-feira (16) dois ex-dirigentes do Khmer Vermelho, o regime comunista que vigorou no Camboja entre 1975 e 1979, à prisão perpétua por genocídio e crimes contra a humanidade.

Nuon Chea (esquerda) e Khieu Samphan (direita) já cumpriam pena de prisão perpétua
Nuon Chea (esquerda) e Khieu Samphan (direita) já cumpriam pena de prisão perpétua
Foto: EPA / Ansa - Brasil

Os réus são Nuon Chea, 92 anos, e Khieu Samphan, 87, os últimos líderes do Khmer Vermelho ainda vivos e que já cumpriam pena de prisão perpétua pelos desaparecimentos e pelas prisões forçadas ocorridas durante o regime.

Nuon Chea é considerado o principal ideólogo do Khmer Vermelho e o "braço direito" de seu líder, Pol Pot, morto em 1998, sem nunca ter sido condenado. Já Khieu Samphan foi chefe de Estado durante o regime.

As sentenças contra eles, emitidas separadamente, se referem ao extermínio de vietnamitas e membros da minoria muçulmana cham. Samphan, no entanto, foi sentenciado apenas pelo genocídio contra os vietnamitas, com base no princípio de que indivíduos são responsáveis pelas ações do grupo ao qual pertencem.

Essa é a primeira vez na história que ex-dirigentes do Khmer Vermelho são condenados por genocídio. O regime se baseava na utopia agrária de esvaziar as cidades para estabelecer vastas comunidades rurais, mas acabou enveredando para o genocídio por meio da fome, do excesso de trabalho e de políticas de execução.

Ainda cabe recurso contra a sentença, e os dois ex-dirigentes se dizem vítimas de perseguição política. O atual primeiro-ministro do Camboja, Hun Sem, que governa o país desde 1998, afirmou que não permitirá que outros processos sigam em frente, alegando que isso causaria "instabilidade".

Ele é ex-comandante do Khmer Vermelho, mas desertou quando o grupo ainda estava no poder.

Ansa - Brasil
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