PUBLICIDADE

Evo Morales diz que há golpe de Estado em andamento na Bolívia

Em meio às denúncias de fraude eleitoral, presidente afirma em entrevista coletiva que está 'quase certo' de que vai conquistar seu quarto mandato consecutivo; último resultados indicavam 2º turno, mas é esperado que votos de regiões rurais beneficiem presidente.

23 out 2019 11h45
| atualizado às 12h54
ver comentários
Publicidade
'É quase certo que, com o voto das áreas rurais, venceremos no primeiro turno', afirmou Evo Morales
'É quase certo que, com o voto das áreas rurais, venceremos no primeiro turno', afirmou Evo Morales
Foto: Reuters / BBC News Brasil

O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou nesta quarta-feira que há "um golpe de Estado em andamento" no país.

A declaração foi feita em meio às denúncias de fraude eleitoral feitas pela oposição após as eleições presidenciais de domingo, que levaram milhares de cidadãos às ruas para protestar nos últimos dias.

"(Eu quero) denunciar diante do povo boliviano e do mundo inteiro: um golpe de Estado está em andamento, mas quero dizer que já sabíamos anteriormente. A direita preparou com apoio internacional um golpe de Estado", disse Morales, em entrevista coletiva, em La Paz.

"Até agora aguentamos humildemente, suportamos pacientemente para evitar a violência e não entramos em confronto", acrescentou.

"Mas quero dizer ao povo boliviano: estado de emergência e mobilização constitucional pacífica para defender a democracia!"

'Quase certo' da vitória

Morales, que governa a Bolívia desde 2006, também disse estar "quase certo" de que vai conquistar seu quarto mandato consecutivo, o que permitiria a ele ficar no poder até 2025.

"É quase certo que, com o voto das áreas rurais, venceremos no primeiro turno", afirmou Morales.

Os resultados divulgados na segunda-feira pelo sistema de Transmissão de Resultados Eleitorais Preliminares (TREP) sinalizaram uma vitória apertada de Morales.

A transmissão dos resultados foi interrompida quando o sistema indicava um segundo turno e foi retomada mais de 24 horas depois, com 95% das urnas apuradas, sinalizando a reeleição do presidente — com 46,86% dos votos, contra 36,72% do ex-presidente Carlos Mesa, seu principal adversário no pleito.

Para vencer no primeiro turno, Morales precisava alcançar mais de 40% dos votos — e ter pelo menos uma vantagem de dez pontos percentuais em relação ao segundo colocado.

A interrupção de sistema que transmitia os resultados da eleição levou manifestantes às ruas da Bolívia
A interrupção de sistema que transmitia os resultados da eleição levou manifestantes às ruas da Bolívia
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Mas, os dados mais recentes (das 10h10 do horário local) do site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quarta-feira, davam 46,4% dos votos para Morales, e 37,07% para Mesa, com 99% das urnas "transmitidas" e 95,63% das urnas "verificadas".

Se confirmada essa diferença, de menos de 10 pontos percentuais, haveria segundo turno entre os dois candidatos — mas era esperado que os votos de regiões rurais beneficiassem o presidente.

Morales disse que respeitaria a contagem final do Tribunal Superior Eleitoral.

Diante da interrupção da contagem por mais de 24 horas e a guinada na tendência do resultado, a transparência do processo eleitoral boliviano foi colocada em xeque por militantes da oposição e organizações internacionais.

O próprio vice-presidente do TSE, Antonio Costas, pediu demissão do cargo na terça-feira questionando a decisão "desatinada" dos demais membros da corte de suspender a divulgação dos resultados preliminares da eleição.

Em sua carta de demissão, Costas afirmou que esta medida "havia desacreditado todo o processo eleitoral, causando uma crise social desnecessária".

Quando a contagem foi retomada e passou a indicar a vitória de Morales no primeiro turno, Carlos Mesa chegou a chamar a apuração de chamou de "fraude escandalosa" — e afirmar que o TSE é "uma vergonha para o país".

"Confiamos que os cidadãos não vão aceitar esse resultado distorcido e manipulado", acrescentou Mesa.

A desconfiança em relação ao processo eleitoral também provocou uma onda de protestos em várias cidades do país.

Veja também:

Comandante da Marinha compara vazamento de óleo no litoral a ataque militar ao Brasil:

 

BBC News Brasil BBC News Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da BBC News Brasil.
Publicidade
Publicidade