Europeus se dobraram diante de Trump em cúpula da Otan
Durante a Cúpula da Otan, em Haia, na Holanda, os países-membros da Aliança Atlântica se comprometeram a destinar até 3,5% de seu PIB a despesas militares. Mas para os jornais franceses, os europeus se submeteram às exigências do presidente norte-americano, Donald Trump.
Durante a Cúpula da Otan, em Haia, na Holanda, os países-membros da Aliança Atlântica se comprometeram a destinar até 3,5% de seu PIB a despesas militares. Mas para os jornais franceses, os europeus se submeteram às exigências do presidente norte-americano, Donald Trump.
Os aliados se dobraram às exigências de Donald Trump, diz a manchete do Le Monde, se referindo às ameaças do presidente americano de rever o artigo 5 sobre a solidariedade entre os aliados, a pedra angular da Otan desde que a Aliança foi fundada em 1949 como um contrapeso para a União Soviética. Apesar das despesas ficarem abaixo dos 5% solicitados por Trump, o líder americano se mostrou satisfeito com o acordo.
Para Le Figaro, os europeus foram muito dóceis diante de um Trump "imperial". Tudo foi feito para agradar o presidente americano: elogios do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, que disse que Trump era um "homem de ação" e, ao mesmo tempo, "de paz", e até um convite para passar a noite da residência do rei da Holanda.
O jornal defende Rutte, criticado por "se ajoelhar" diante de Trump, dizendo que o chefe da OTAN se esforça para limitar os estragos dentro da Aliança e evitar retrocessos sobre as principais questões: a definição da ameaça russa, o apoio à Ucrânia e a solidariedade entre os aliados. Porque para a Europa, as tensões no Oriente Médio são importantes, mas a guerra na Ucrânia continua sendo a principal preocupação.
O Libération lembra que até o último minuto o suspense foi mantido sobre a Cúpula da Otan. Meses de trabalho e a segurança de 450 milhões de europeus dependiam do humor do chefe de Estado americano. Mas a boa disposição de Trump trouxe alívio aos aliados e o risco de uma retirada brutal do apoio de Washington à aliança foi afastado.
O jornal reconhece que o aumento nas despesas militares de 2% para 3,5% vai representar um esforço extremamente difícil para os países europeus, mas acaba com um sistema imperfeito, que contava exageradamente com as contribuições dos Estados Unidos.