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Ucrânia: Greenpeace teme novos vazamentos radioativos em Chernobyl

O Greenpeace alertou, nesta terça‑feira (14), que o colapso descontrolado da estrutura interna de contenção da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, pode elevar o risco de vazamentos radioativos para o meio ambiente, quase 40 anos após a explosão de um de seus reatores.

14 abr 2026 - 12h08
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Atualmente, os destroços da usina estão protegidos por duas camadas de contenção: uma estrutura interna de aço e concreto conhecida como "sarcófago", construída às pressas para cobrir o reator que explodiu em abril de 1986, e uma estrutura externa mais moderna, chamada de "novo invólucro de contenção", instalada em 2016.

Em fevereiro de 2025, a proteção metálica externa foi atingida e violada por um drone russo. Desde o início da invasão da Ucrânia, em 2022, Kiev acusa repetidamente Moscou de realizar ataques contra a área de Chernobyl.

Em um relatório divulgado nesta terça‑feira, o Greenpeace afirma que, apesar dos trabalhos de reparo em andamento, a função de contenção da nova estrutura ainda não foi "totalmente restaurada". "Isso aumenta o risco de vazamentos radioativos para o meio ambiente, especialmente em caso de colapso" da blindagem interna, alerta a organização.

Poeira radioativa

"Seria catastrófico, pois há cerca de quatro toneladas de poeira altamente radioativa, pastilhas de combustível e enormes quantidades de radioatividade dentro do sarcófago", afirmou recentemente à AFP Shaun Burnie, especialista nuclear do Greenpeace Ucrânia. "E como a nova estrutura de contenção não pode ser reparada no momento e não pode operar como previsto, existe o risco de vazamentos radioativos", acrescentou.

Segundo o Greenpeace, o desmantelamento dos elementos instáveis da estrutura interna de contenção é essencial para evitar um colapso descontrolado. No entanto, os trabalhos estão comprometidos pela guerra, já que "mísseis russos ainda estão sendo disparados sobre Chernobyl", de acordo com Burnie. "Quarenta anos depois do desastre, a Rússia continua travando uma verdadeira guerra nuclear contra o povo da Ucrânia e da Europa", afirmou.

Radiação não conhece fronteiras

O diretor da usina, Sergiy Tarakanov, também classificou a situação como extremamente "perigosa". "Se um míssil cair não apenas dentro da área de contenção, mas a uma distância de 200 metros, o impacto externo pode ser semelhante ao de um terremoto", alertou. "E o acidente de 1986 nos mostrou que as partículas radioativas não conhecem fronteiras", destacou.

O custo da restauração do arco externo do sarcófago de Chernobyl é estimado em cerca de meio bilhão de euros, segundo declaração do ministro das Relações Exteriores da França, Jean‑Noël Barrot, em março de 2026.

Cerca de 30pessoas morreram em consequência imediata do acidente nuclear, entre a explosão e os primeiros meses seguintes. A maioria eram trabalhadores da usina e socorristas (bombeiros e técnicos) que sofreram síndrome aguda da radiação.

Até o início dos anos 2000, menos de 50 mortes haviam sido formalmente atribuídas à radiação, incluindo alguns casos de câncer de tireoide. Mas um relatório conjunto de agências da ONU estima que até 4.000 pessoas podem morrer no futuro devido a cânceres induzidos pela radiação, entre os grupos mais expostos (Ucrânia, Belarus e Rússia).

Já o Greenpeace e alguns pesquisadores independentes estimam dezenas de milhares de mortes adicionais, podendo variar de 30 mil a mais de 90 mil, ao considerar toda a Europa e efeitos indiretos de longo prazo.

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