Torre Eiffel reabre após greve contra exclusão de funcionárias durante visita de grupo hindu
A Torre Eiffel, em Paris, reabriu nesta terça-feira (8), após ser fechada no dia anterior devido a uma greve de funcionários. O movimento foi feito em protesto à exclusão de trabalhadoras durante a visita de um grupo religioso hindu ao famoso monumento francês. Posteriormente, a instituição pediu desculpas pela situação, classificada como "inaceitável" pelo prefeito da capital francesa, Emmanuel Grégoire.
A Torre Eiffel reabriu após uma greve de funcionários motivada pela exclusão e substituição de trabalhadoras durante a visita do grupo hindu Baps, que havia pedido para limitar o contato com mulheres. O sindicato denunciou a discriminação de gênero, e a empresa operadora admitiu que as exigências não deveriam ter sido aceitas. O caso foi repudiado pela prefeitura de Paris, que anunciou uma investigação, enquanto o movimento conservador hindu pediu desculpas pelo ocorrido.
A torre, que recebeu 6,75 milhões de visitantes em 2025, reabriu conforme o previsto, às 9h30 (4h30 de Brasília). A greve foi uma resposta ao pedido do movimento espiritual hindu Bochasanwasi Akshar Purushottam Swaminarayan Sanstha (Baps) para que mulheres não estivessem no local durante a visita do grupo.
A ida do Baps à Torre Eiffel fazia parte do cronograma para a cerimônia de inauguração de seu primeiro grande templo na França, no domingo (6). Para o evento, a delegação também fez um passeio de barco pelo rio Sena.
De acordo com um comunicado divulgado pelo sindicato CGT, o maior do país, foram passadas instruções aos empregados que "levaram ao afastamento, substituição e invisibilidade das funcionárias devido ao seu gênero".
"Algumas (mulheres) foram solicitadas a deixar seus postos e se deslocar para áreas separadas. Em algumas posições, elas foram substituídas por homens. E todas as funcionárias foram instruídas a não entrar ou atravessar certas áreas enquanto a delegação estivesse presente", segundo o comunicado dos trabalhadores.
Essa situação, descrita como "grave e profundamente contrária aos valores de igualdade e não discriminação", levou os empregados a entrarem em greve. Na segunda-feira, o monumento permaneceu fechado enquanto reuniões eram realizadas entre a administração e os funcionários.
A empresa operadora da Torre Eiffel (Sete) reconheceu que a delegação hindu havia solicitado que a visita fosse organizada com "interações limitadas com mulheres" e admitiu que "essas condições não deveriam ter sido aceitas". O prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, também criticou a decisão.
"É inaceitável que as condições" exigidas pela delegação hindu "tenham sido toleradas", reagiu Grégoire, acrescentando que uma investigação será "iniciada o mais breve possível".
Je prends connaissance du mouvement de colère des salarié·es de la tour Eiffel et je veux leur dire que leur mécontentement est légitime.
Il n'est pas acceptable que de telles conditions puissent être tolérées. Ce ne sont ni mes valeurs, ni celles que doit porter la tour Eiffel,… https://t.co/3srttJpxPo
— Emmanuel Grégoire (@egregoire) September 7, 2026
Movimento hindu se manifesta
Criticado como conservador e nacionalista por alguns membros da diáspora indiana, o movimento espiritual hindu Bochasanwasi Akshar Purushottam Swaminarayan Sanstha (Baps) emitiu um pedido de desculpas, mas minimizou as críticas.
"Até onde sabemos, em nenhum momento o acesso à Torre Eiffel foi negado a ninguém", justificou o Baps de Paris. "Desejamos, no entanto, apresentar nossas sinceras desculpas a todos que possam ter se sentido magoados ou incomodados por esta situação", acrescentou, especificando que a visita ocorreu "no início do horário normal de funcionamento, a fim de minimizar qualquer inconveniente para outros visitantes".
No domingo, milhares de hindus celebraram em Bussy-Saint-Georges, a 30 km a leste de Paris, a consagração do primeiro grande templo construído na França pela organização. Com suas cúpulas e pináculos de pedra esculpida, ele é apresentado como "um emblema da cultura indiana e do hinduísmo". O local está sendo considerado o maior templo hindu construído na Europa continental em estilo tradicional.
Os objetivos do Baps, no entanto, são contestados por alguns conterrâneos, como a Aliança Indiana de Paris, que considerou a inauguração de seu novo templo na França como mais uma ofensiva da "supremacia hindu", com "uma visão de mundo conservadora e nacionalista".
Com AFP
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